Lista Negra é o nome do álbum de estreia dos Amor Terror: uma banda de rock português composta por Miguel Morgado, Daniel Filipe, Ricardo Rodrigues e Bruno Barradas. Criados em 2011 participaram – ainda antes de lançar o seu primeiro trabalho – na tournée Vox Tropper Tour onde percorreram o país numa série de mais de uma dezena de concertos.

Amor Terror é uma banda bebé. Daqueles bebés babosos que deixam os seus pais babados. Felizes por terem nos braços tão pequeno tesouro. Depois do estúdio quentinho, a banda gatinha rumo às melodias quentes que se aninham nos ouvidos. E de agasalho vestido, faz-se ao caminho em busca dos Reis Magos. É um passeio cheio de amor e sorrisos. O terror fica na fralda. Uma chucha para todos.” É assim que a banda se apresenta, é assim que definem a sua história.

Amor Terror é uma banda bebé”, mas tiveram outros “filhos”, neste caso Os Pintarolas antes. O que vos levou a criar esta banda?

Amor Terror surge com o final de Pintarolas. As causas para as bandas terminarem passam sempre por dois pontos: Questões pessoais entre os membros e desentendimentos no caminho futuro do projeto em si. Ora como chegamos a um doloroso ponto de não retorno a banda teve de acabar. Foi circunstancial. Todavia para nós é impossível deixar de escrever ou compor música. Passado algumas semanas já estávamos na sala de ensaio cheios de ideias. Amor Terror é um impulso feroz. Amor à primeira vista. Não sabemos ao certo mas quando nos juntámos algo aconteceu. Passámos a ver isto da música e das bandas com outros olhos Descobrimos muitas coisas, algumas muito boas, e crescemos bastante.

Relativamente ao projeto anterior o que mudou em termos de letras e sonoridade?

Pintarolas sempre teve uma força identificativa forte. Uma linha dura de ação direta, muito crua e muito inocente. Amor Terror é mais maduro e generalista. Porém procura identificação e diferenciação na sonoridade, nos temas e no uso melódico da lingua portuguesa. É uma banda contemporânea em constante evolução e experimentação. Não tem barreiras. Não tem pontos de comparação. Não tem pontos de partida nem de chegada. Não tem logotipo. É sempre o que nós queremos.

O vosso álbum, Lista Negra, conta com algumas participações a nível vocal e não só. São parcerias para continuar?

Não sabemos. Não fazemos ideia. Podemos afirmar que foram experiências únicas, com gente muito talentosa e muito generosa. Foram sessões fantásticas que enriqueceram o disco, que nos encheram de prazer. É rarissimo acontecer algo do género. Se a oportunidade surgir certamente que voltaremos a colaborar juntos.

Fizeram parte da Vox Trooper Tour. Como correu essa experiência? Ajudou-vos a captar mais público?

Para nós a Vox Trooper Tour foi um enorme prazer e uma grande honra. Ter a oportunidade de tocar pelo país, bem junto do público, acompanhados pelos nossos amigos de longa data Defying Control foi fabuloso. Fizemos amigos, conhecemos pessoas, bandas, locais, etc, foi muito bom. Além disso ter a sorte de participar num projeto destes, completamente pioneiro no nosso país, logo no nosso primeiro semestre de banda foi espetacular.

Para quem não vos conhece que música sugeriam para vos começar a ouvir? Porquê?

Ouçam “A Noite”. É a nossa canção “virus“. Ela vai lá ficar, acompanhar e remoer docemente. Quando ouvimos a masterização do álbum todos comentamos como tinha saído este tema. Foi surpreendente. Foi a última a ser composta, a última a ser gravada, tem dois grandes convidados especiais – Maria Margarida Rodrigues e o Paulo Holandês – e é tão pura, tão genuína, que nos expõe totalmente.

Quais as vossas expetativas para o futuro dos Amor Terror?

O que é expectável é diferente do nós desejamos. O nosso futuro vai surgindo a cada concerto, a cada vídeo, a cada entrevista, a cada convite. Continuamos a nos divertir e a trabalhar forte para não termos tempo de criar expectativas.

Como definem atualmente a música em Portugal?

Que sabemos nós disso? Nem temos conhecimento de tudo o que existe por ai. Sabemos que nunca houve tanto e com tanta variedade como atualmente. Existe muita coisa sem jeito e muita dela à mostra, mas por outro lado nunca houve tão bom como agora. É pena que muita dessa qualidade esteja fora dos media, e por arrasto fora do alcance da maior parte das pessoas. Quando fazemos esse ponto de situação não conseguimos esquecer o título do ultimo álbum de Xutos e Pontapés: O Cerco Continua.

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Entrevista cedida pelo Blog Made In Portugal