A moda dos remakes parece que veio para ficar. Desta vez é a obra de Graham Greene, Crime e Pecado, que é “reprisada” nas telas, mais de 60 anos depois. Segundo o realizador Rowan Joffe urgia uma adaptação moderna da obra, sem censuras, e filmada a cores.

A história passa-se nos anos 60 e gira em torno de Pinkie, um jovem de 17 anos que, devido à morte do seu chefe e conselheiro, torna-se líder de um gang. Como forma de vingança o jovem mata o assassino do seu mentor, deixando contudo, algumas “pontas soltas”, nomeadamente uma empregada de mesa –Rose- que pode denunciá-lo. Deste modo, ele aproxima-se da rapariga e acabam por envolver-se.

Desengane-se quem pensa que estamos perante a típica história de amor entre o bad boy e a mocinha. Na verdade estamos perante um psicopata desprovido de sentimentos e uma rapariga ingénua que é seduzida sem dó nem piedade pelo protagonista.

Embora o objetivo fosse trazer a obra para a contemporaneidade, penso que o filme não cumpriu esse papel, ao invés, revisitou os enredos do filme noir com um apontamento especial para o final: digno dos grandes clássicos de terror dos anos 50. De resto, é o momento mais surpreendente, principalmente para quem viu a versão a preto e branco.

O argumento está bem construído e respeita muito o conteúdo original, procedendo apenas a pequenas alterações, principalmente na personagem de Helen Mirren – que neste filme é a dona do café onde Rose trabalha e amiga do homem que Pinkie matou. O seu papel é muito mais sóbrio do que na versão de 1947, trazendo ainda mais tensão à história.

Também o protagonista é abordado de uma forma um pouco mais humana, dando a impressão, no início, de tratar-se apenas de um rapaz frágil e sem rumo que nem capaz de matar é. E é sob essa premissa que durante o resto do filme vamos “perdoando” as suas atitudes na esperança de que haja uma cena em que mostre uma boa ação.

Sam Riley é o inglês – mais conhecido pelo filme Control, uma biografia acerca dos Joy Division – que interpreta Pinkie. O seu trabalho é satisfatório: mais do que as falas é o seu olhar e a sua expressão facial que fazem o filme. Ele não seduz só Rose, mas também o espetador, fazendo-me lembrar em certos aspetos o inesquecível Alex de A Laranja Mecânica. Há também uma importância acrescida à protagonista feminina – interpretada por Andrea Riseborough -que chega a ser um pouco entediante: Rose está tão cega de amor que não consegue tomar nenhuma atitude para salvar-se, tendo de ser Ida a fazê-lo.

A nível técnico convém lembrar que Rowan Joffe é essencialmente argumentista, pelo que este Crime e Pecado é a sua primeira grande incursão na realização. E não foi mal conseguida: Joffe optou pelo caminho mais seguro, sem grandes inovações, privilegiando as sequências de travellings para descrever o cenário e a profundidade de campo com alguns (poucos) zooms para os personagens. Em certas alturas, há uma combinação muito interessante entre a banda sonora e o próprio som das ruas que reforçam os momentos de tensão do filme.

Embora não ultrapasse a qualidade da versão anterior, Crime e Pecado oferece-nos uma adaptação honesta e interessante do original, embora de forma meio apagada. Ainda assim, um bom tributo a Graham Greene e à sua obra, apenas com a particularidade de já existir um muito superior datado de 1947.

6.5 /10

Ficha Técnica:

Título Original: Brighton Rock

Realizador: Rowan Joffe

Argumento: Rowan Joffe

Elenco:  Andrea Riseborough, Andy Serkis, Helen Mirren, John Hurt, Sam Riley

Género: Crime, Drama, Thriller

Duração: 111 minutos