O ambiente sereno das piscinas municipais da Vidigueira distinguiu, em mais uma edição de festival, dois dias de música nacional.

A abertura foi concedida aos Mesa, escolha um pouco arriscada. Monotonia e escassez de interação definem a aposta em Rita Reis, vocalista que integrou recentemente o projeto, e no multi-instrumentalista e fundador da banda João Pedro Coimbra.

Jorge Palma dispensa apresentações. Entre guitarra e piano alternados, acompanhado pelo filho Vicente Palma, protagonizou duetos que aconchegaram o público.

O aclamado Miguel Araújo tinha o maior trunfo da noite, mas o público só se inclinava para ouvir “os aviões”. Os temas de 5 Dias e Meio mereceram destaque, bem como O Lamento de Jimmy Olsen, do projeto Mendes e João Só, e uma nova composição, Cartório. Antes de terminar, o artista resolve tocar o inesquecível Vocês Sabem Lá. É tempo de partida e o público adere ao convite de Anda Comigo Ver Os Aviões.

Os doismileoito foram a primeira banda a pisar o palco no segundo e último dia de festival. Boas letras uma postura consistente e descontraída foram ingredientes que conveceram algumas pessoas.

A noite seguiu-se ao ritmo intenso de Linda Martini que, segundo o baterista Hélio Morais, passaram pela primeira vez pela Vidigueira. Entre uma Casa ocupada e um alentejo retraído, Claúdia Guerreiro, baixista, apelou a todos para se aproximarem mais do palco. Além dos temas de uma set-list habitual, Efémera, tema exclusivo de uma demo, é dedicada a todos os que possuem o CD, mas também aos restantes, parafraseando Hélio Morais. Cem Metros Sereia encerra o concerto de modo provocatório, tal como se comprova no conteúdo da letra.

Quanto aos Wraygunn, pela segunda vez a marcar presença neste festival, injetaram uma forte dose de euforia no público. O senhor Paulo Furtado esmerou-se por colocar o pessoal em êxtase total. Houve espaço para um discurso, elogiando todo o povo que mostrou a sua indignação e saiu à rua para manifestar o descontentamento político que assola o nosso país. Já em alinhamento final, elementos da plateia são convidados a subir ao palco para mostrar os seus dotes e erros vocais.

Numa fase tardia, em gesto de despedida da época balnear, há que valorizar os eventos criados em solo alentejano. Bom ou mau, ainda há que consciencializar algumas mentes céticas face aos artistas portugueses.  O nosso mercado musical é bom e recomenda-se. Que se sigam mais edições do Festival Vidigueira