O domingo marcou a despedida da edição de 2012 do MOTELx – Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa. A sala Manoel de Oliveira encheu e recebeu Dario Argento para a muito aguardada masterclasse. Também os Clones e Capitão Falcão levaram enchentes à sala Montepio para mais duas masterclasses. A marcar a sessão de encerramento, para além da projeção de American Mary, esteve o anúncio do vencedor do Prémio MOTELx 2012 para melhor curta portuguesa. Foi A Bruxa de Arroios, de Manuel Pureza que arrecadou o galardão. De entre os filmes que marcaram o último dia de festival destaque para Inbred, Babycall, Revenge: A Love Story ou V/H/S, que teve direito a sessão extra.

Inbred – 4/10

O simpático realizador Alex Chadon esteve presente na sessão da meia-noite de sábado, e na das 14h00 de domingo para apresentar e responder a questões sobre o seu Inbred, um filme recomendado apenas para os fãs. Classificado como Extra-forte pelo próprio MOTELx, Chadon traz-nos um filme impróprio para pessoas sensíveis. Muito gore, misturado com uma espécie de humor britânico muito mal conseguido, Inbred não é muito mais do que isso.

Um grupo de jovens problemáticos e os seus tutores vão passar um fim-de-semana de trabalho comunitário na estranha e isolada aldeia de Mortlake, no Yorkshire, que vive fechada ao exterior. Contudo, um pequeno incidente com os moradores locais desencadeia uma escalada de violência, demência e sangue. Inbred surge como uma homenagem às comédias gore anárquicas dos anos 80.

Um argumento que parece algo incompleto, e violência um tanto injustificada faz deste filme um daqueles casos que irão apenas agradar aos fãs do género. Mais alguma profundidade não lhe faria mal, um pouco menos de loucura também não. Na sessão das 14h00 aplausos não faltaram de uma sala muito composta.

Dario Argento foi recebido, por volta das 16h30, de casa cheia pelos muitos fãs que queriam assistir à sua masterclasse. O mestre do cinema de terror europeu respondeu a algumas questões da plateia e falou sobre a estética dos seus filmes, que são, para si, muito semelhantes a um sonho. A música, que surge quase como uma personagem nas suas longas-metragens, também foi objeto de destaque. As explicações foram antecedidas por alguns excertos de importantes filmes de Argento. No final, o cineasta deu autógrafos aos muitos admiradores que ali se concentraram.

E após cinco dias de terror e várias sessões esgotadas, o MOTELx despede-se do Cinema São Jorge mas promete, como sempre, um regresso cheio de surpresas para o ano.

Inês Moreira Santos