ParaNorman é mais uma conquista das longas-metragens figuradas por bonequinhos de plasticina e, como se mais provas fossem necessárias, vem contrariar o preconceito de que a animação é apenas coisa de crianças.

É interessante ver como quase todas as produções stop-motion saídas de Hollywood se tornam clássicos instantâneos ou até mesmo filmes de culto. Embora a técnica tenha sido inicialmente explorada logo desde o começo do século XX e a primeira longa-metragem, The Adventures of Prince Achmed, date de 1926, foi apenas bem recentemente, em 1993, que ganhou verdadeiramente impulso, aquando do lançamento de O Estranho Mundo de Jack, fruto da colaboração entre Tim Burton e Henry Selick. Entretanto, a Aardman apostava não só nas séries em formato televisivo, mas também nas longas-metragens, estreando-se com o icónico A Fuga das Galinhas.

Estreia agora nas salas ParaNorman, do mesmo estúdio responsável pelo maravilhoso Coraline e a Porta Secreta, que nos relata a história do jovem e desamparado Norman e do seu dom para ver e falar com os mortos. Nos seus ombros carrega o peso de ser o único a conseguir pôr um fim à maldição da bruxa que há tanto assombra a pequena cidade. Vale a Norman conseguir fazer um amigo, Neil, um miúdo também solitário graças aos seus quilinhos a mais.

O filme de Chris Butler e Sam Fell surge numa era em que os zombies, os vampiros e semelhantes criaturas voltam a estar na berra. E o que é que, no entanto, o diferencia dos outros? Tudo. ParaNorman é uma obra refrescante em jeito de homenagem a todos os grandes clássicos do terror e da aventura, em especial dos anos 70 e 80. É impensável não experienciar o mesmo espírito aventureiro de Os Goonies e até mesmo de E.T. – O Extraterrestre – não pode ser coincidência que vejamos Norman a andar de bicicleta por várias vezes e que se vista exatamente da mesmo forma que Elliot, certo? Já sem esquecer que o filme está recheado de referências aos mais memoráveis clássicos do terror, que, definitivamente, não podem deixar os fãs do género indiferentes – só para aguçar o apetite, a máscara de hóquei de Jason dá o ar de sua graça.

Contudo, embora seja um filme perfeitamente adequado aos mais pequenos, é aos adultos que mais irá agradar, especialmente pelo humor inteligente, aguçado, desafiante e mesmo atrevido que escapa às crianças. Aqui brinca-se descomprometidamente com as ideias características da puberdade e até com a orientação sexual das personagens.

E este não é só, por si, um excelente filme, mas também irrepreensível em termos técnicos. Nunca a stop-motion foi tão ambiciosa, fluída e visualmente deslumbrante. Tudo acontece com uma naturalidade tal que facilmente nos esquecemos de que estamos a assistir a vários milhares de milhões de fotografias em sequência e a imensos longos anos de trabalho camuflados – meramente para que seja possível ter uma perceção mínima, a cena da casa de banho levou um ano a ser feita.

ParaNorman ocupa, até ver, o lugar de melhor filme animado do ano e, ainda que não tão mágico nem elegante como Coraline, é um sucessor dificilmente equiparável. Falta ver o que Burton tem a fazer com Frankenweenie.

8/10

Ficha Técnica:

Título Original: ParaNorman

Realizador: Chris Butler, Sam Fell

Argumento: Chris Butler

Elenco: Kodi Smit-McPhee, Anna Kendrick, Casey Affleck, John Goodman, Christopher Mintz-Plasse

Género: Animação, Aventura, Comédia

Duração: 92 minutos