No seu segundo dia, o MOTELx não desiludiu quem ansiava por mais sustos, suspense e terror. Laddaland foi um dos filmes mais esperados desta quinta-feira, e The Tall Man fez a noite na sala Manoel de Oliveira. The Butterfly Room, Red State, The Pact, Mother of Tears, Black Cat Mansion, Sleep Tight, Invasion of Alien Bikini e Red Tears foram as outras longas-metragens a marcar presença.

Red State – 7/10

Uma premissa pouco original mas uma execução surpreendente, assim é Red State, que repete no próximo sábado, às 19h30. Kevin Smith muda de registo mas sai-se bem com este filme que mistura thriller, ação e terror. O elenco, que conta com os nomes de luxo de John Goodman e Melissa Leo, contribui também em grande parte para a qualidade de Red State.

Uma seita de fanáticos religiosos que leva a sua homofobia ao máximo que se possa imaginar, captura um grupo de adolescentes. Abin Cooper é o seu pastor e líder que planeia as mais radicais ações para retirar o pecado do mundo. As temáticas da discriminação a um nível extremo e do fanatismo religioso, muito batidas atualmente, surgem aqui com uma abordagem diferente onde nada é previsível.

John Goodman como o agente Joseph Keenan e, principalmente, Michael Parks na pele do pastor Abin Cooper têm desempenhos que merecem destaque. Red State é um filme violento onde o terror psicológico impera. Uma bela surpresa na segunda tarde de festival.

 

Laddaland – 5/10

O filme tailandês Laddaland foi recebido com casa quase cheia. A expectativa era muita para a longa-metragem de Sopon Sukdapisit, que foi um sucesso na Tailândia, mas o resultado não foi tão bom como se esperava. O sobrenatural percorre Laddaland do início ao fim, mas a necessidade de “pregar sustos” parece querer sobrepor-se ao próprio argumento, e consegue.

Thee quer o melhor para a esposa, Parn, e para os filhos, Nan e Nat, e para isso mudam-se para uma casa em Laddaland, um condomínio privado, onde acredita que terão uma vida feliz. Todavia, a família nunca imaginaria que, numa casa próxima uma empregada doméstica foi brutalmente assassinada. Os fantasmas parecem ter-se mudado também para aquela vila, e a morte cerca a família de Thee.

Depois de Who R U?, no MOTELx 2011, esperava algo dentro do mesmo género neste Laddaland, mas, se excluirmos o domínio do sobrenatural, nada mais se assemelha entre os dois. Um filme que se quer manter sério e pesado, não pode chegar à sua cena mais dramática e fazer com que a plateia se ria, como aconteceu. No que toca a suspense e a sustos, nada a apontar, eles estão lá (são realmente muitos), com a característica banda sonora a adensar (mais ainda) o ambiente, mas a história perde-se numa espécie de “quantos mais fantasmas melhor” e desaparece o desejo inicial de descobrir os mistérios que rondam a primeira morte com tudo o que se sucede.

 

Para o terceiro dia de MOTELx espera-se mais terror com Excision, Emergo ou Livid, por exemplo. Também é dia da secção Quarto Perdido com a exibição de O Território e O Estado das Coisas.

Inês Moreira Santos