Veronika Decide Morrer é um filme de 2009, adaptado da obra homónima de Paulo Coelho e realizado pela britânica Emily Young, cujo último trabalho foi o premiado Kiss of Life.

A trama gira em torno de Veronika – uma jovem bonita e aparentemente bem-sucedida – que atravessa uma crise de identidade e de sentido para a sua vida. Decide então cometer suicídio, só que acaba por sobreviver e acorda numa clínica psiquiátrica. Aí descobre que sofreu lesões irremediáveis no coração – por causa da quantidade de medicamentos que ingeriu – e que apenas lhe restam poucas semanas de vida.

No início Veronika tenta por várias vezes matar-se, mas, aos poucos, vai descobrindo aquilo que sempre lhe faltou: um sentido para a vida, o sentido do amor. Contudo cada minuto é uma bomba-relógio e a jovem tenta aproveitar o tempo que lhe resta vivendo e experimentado cada momento ao máximo.

Normalmente não costumo ficar satisfeita com adaptações cinematográficas de livros que já tenha lido, à exeção de Harry Potter – que mesmo que fosse dos piores filmes jamais feitos teria adorado de qualquer maneira.  A boa notícia é que não li a obra de Paulo Coelho, por isso pude apreciar o filme simplesmente por aquilo que era e sem ideias ou expetativas prévias.

Logo nas primeiras cenas fiquei desiludida, especialmente com Emily Young que, num momento tão importante como a tentativa de suícidio da protagonista, cortou várias vezes os planos, retirando todo o fulgor e drama à ação. Por outro lado e um pouco em oposição, acho que também fez um recurso um pouco excessivo de planos em travelling – principalmente laterais – conferindo um andamento lento aos acontecimentos e, por vezes, um pouco confuso, mas noutros demonstrou uma sensibilidade artística muito grande – principalmente nos closes aos relógios como metáfora do tempo que restava à protagonista.

Ditos os aspetos menos bons, vou-me focar na plenitude estética e poderosa deste filme. A história é simplesmente comovente e faz-nos realmente pensar. Existem milhões de Veronikas por este mundo fora: pessoas que se questionam o que é que estamos “aqui” a fazer, qual o rumo que o mundo está a tomar, qual será o nosso futuro… só que, felizmente, nem todas têm a coragem (ou cobardia) de desistir de viver. E, nem todas têm uma segunda oportunidade como Veronika teve. O que o filme me mostrou é que devemos aproveitar cada instante que respiramos porque o dia de amanhã será sempre uma incógnita e devemos rendermo-nos sempre às nossas vontades, sejam elas as mais loucas e estapafúrdias que existam. E mais um monte de clichés lamechas que não irei aqui desfiar.

Sarah Michelle Gellar deu aqui um banho de interpretação na pele de Veronika, ela que não tem um papel de jeito desde Cruel Intentions, prova aqui que se devia apostar mais no seu trabalho. O seu par amoroso, Jonathan Tucker defende muito bem o seu personagem, Edward, que não pronuncia uma palavra nos primeiros três quartos da trama, sendo que grande fatia da interpretação é baseada na sua presença física e expressiva. A relação que desenvolvem é muito pura e acaba por salvar os dois do abismo. Destaque também para Melissa Leo e David Thewlis como Mari e Dr. Blake respetivamente – este último que tem um papel preponderante no desenrolar dos acontecimentos, ainda que de forma subtil.

Sem ser absolutamente brilhante, Veronika Decide Morrer, é muito bom e termina com uma mensagem de esperança para todos nós. Como diria a sábia banda Avenge SevenfoldSeize the day or die regretting the time you lost.” Ou, para dar um ar mais erudito à coisa, Carpe Diem meus amigos, Carpe Diem. Let’s start living.

7 /10

Ficha Técnica:

Título Original: Veronika Decides To Die

Realizador: Emily Young

História: Paulo Coelho

Argumento: Larry Gross

Elenco: David Thewlis, Erika Christensen, Jonathan Thucker, Melissa Leo, Sarah Michelle Gellar

Género: Drama

Duração: 98 minutos