Ano após ano, o Noites Ritual propõe-se a «divulgar, partilhar e engradecer a música feita em Portugal». Este ano, 17 mil pessoas passaram pelos Jardins do Palácio de Cristal.

Vista dos Jardins do Palácio de Cristal para o rio Douro

Aos PAUS ficou entregue a honra de iniciar o ritual musical, no primeiro de setembro. Depois de marcarem presença por todo o país ao longo deste ano, havia chegado a vez de pisarem o palco do Porto.

A intensidade da bateria siamesa de Quim Albergaria e Hélio Morais não empolgou o público, que se manteve comedido desde a abertura, com Língua Franca, até Pelo Pulso, que viria a fechar a setlist. Talvez porque o público a quem os PAUS se dirigiam estivesse ansiosamente à espera da atuação d’A Naifa, motivo ao qual se acrescenta o facto de, assim como no dia anterior, a fila nas bilheteiras ter impedido muitos portuenses de assistir ao primeiro concerto da noite.

Contudo, eram necessárias bem mais do que duas mãos para contar os fãs dos PAUS que marcaram presença nos Jardins do Palácio de Cristal. O Espalha-Factos esteve à conversa com uma jovem de Lamego que visitou o Noites Ritual exclusivamente para ver o quarteto ao vivo, pela primeira vez. Acompanhada pela mãe, Helena Gonçalves (14 anos), cujas melhores amigas são as baquetas, tem «um ídolo» na figura de Hélio Morais, nas suas palavras.

Depois do concerto explosivo a que os PAUS já nos habituaram, A Naifa emociona a Invicta. «É uma honra poder estar pela segunda vez no Porto este ano, depois de tanto tempo longe», confessa a vocalista Maria Antónia Mendes. O ansiado regresso da banda aos palcos portugueses, após os três anos de afastamento, confere uma especial dimensão ao próprio concerto. A música d’A Naifa, por si só, embevece qualquer alma, e o facto de os poder ver ao vivo, tal como outrora, leva a comoção a um patamar ainda mais elevado.

Naquelas centenas de minutos, navegámos por toda a obra discográfica do grupo musical. Apesar do mais recente Não se deitem comigo corações obedientes, temas como Hécuba e Rapaz a arder fizeram as delícias dos que se apaixonaram pel’A Naifa logo em 2004, com o primeiro álbum, Canções Subterrâneas.

Entre as 20 músicas tocadas, destacam-se A Verdade apanha-se com enganos, cantada em uníssono pelos portuenses; Libertação, fado «dedicado ao camarada João Aguardela», que levou muitos portuenses saudosos a jorrar uma lágrima de luto e carinho; e Desfolhada, tema imortalizado na voz de Simone de Oliveira, com o qual A Naifa se viria a despedir.

E assim terminou a 20ª edição, com a promessa de que o Noites Ritual regressará em 2013, de mãos dadas com a música portuguesa… Tal como manda a tradição.

Fotografias: Margarida Ruela