Uma banda que junta as guitarras de Zé Pedro dos Xutos & Pontapés e de Tó Trips dos Dead Combo é por si só já um grande projeto. Para além deste duo, os Ladrões do Tempo conseguem ter nas suas fileiras também as qualidades de Pedro Gonçalves, igualmente dos Dead Combo, no Baixo, a voz e guitarra de Paulo Franco, dos Dapunksportif e a bateria de Samuel Palitos, dos Censurados e A Naifa.

A este grupo de artistas pode chamar-se um supergrupo, pois entende-se que o significado disso seja que vários músicos com carreiras reconhecidas musicalmente em bandas distintas se juntem para formar um novo projeto. Ora este tal supergrupo que toca uma versão roqueira de um tema de Caetano Veloso deu um concerto no Ritz Clube, em Lisboa, na passada quinta-feira, 30 de agosto. Mas os Ladrões do Tempo não estiveram sozinhos. Os Dapunksportif foram os primeiros a tomar de assalto aquele espaço mítico da capital portuguesa e que bem que o fizeram.

O concerto em si começou por volta da meia-noite e tendo em conta o habitual tempo de espera cá fora para reunir o pessoal necessário e compor o espaço em frente ao palco. Os Dapunksportif pegaram nos instrumentos e prepararam-se para começar. O ambiente estava bom, o público já estava pronto, as luzes e os efeitos ficavam bem na fachada interior do renovado Ritz Clube e assim arrancou a noite do Rock ‘N’ Roll. «Vamos começar com uma calminha», disse o vocalista Paulo Franco antes dos primeiros acordes, mas a verdade é que esse foi um tema rápido e pesado, ao jeito dos Dapunksportif.

Ao terceiro tema e já bem dentro do som da banda oriunda de Peniche foi tempo de dar mais gás ao som pujante deste quarteto de rockers. Temporary Insanity, do primeiro álbum, tem um estilo mais punk, mas com variações de ritmo e riffs aqui e ali. Fast Changing World, tema que dá título ao novo álbum da banda, foi uma agradável surpresa. Can’t Move começou com um intro algo fantasmagórico e foi possívelmente o ponto alto da atuação com o público a reagir muito bem. Summer Boys ganhou ao vivo uma epicidade musical que mostrou que os Dapunksportif sabem bem acabar um concerto ou então dar início a outro.

Os Ladrões do Tempo subiram ao palco logo a seguir e da plateia ouviram-se chamamentos por Zé Pedro quando o guitarrista entrou em cena. Paulo Franco regressou para trás do microfone e trouxe também a guitarra com que tocara ainda há bocado. Tó Trips assumiu a sua posição do lado esquerdo, com as pernas abertas e a guitarra bem lá em baixo, uma visão certamente diferente da que nos habituou nos Dead Combo.

Zé Pedro toca uma Gretsch de cor vermelha e foi a sua guitarra a primeira a soar nos speakers das colunas. O resto da banda acompanhou-o logo a seguir. «Somos Ladrões do Tempo» cantou Paulo no primeiro tema que funcionou como apresentação da banda. Sem mais grandes introduções ou agradecimentos, explodiu Mora na Filosofia, com os acordes de rock ‘n’ roll e ritmo cativante. Inevitavelmente o tema mais bem recebido.

Tó Trips, num jeito muito punk, deu o mote para mais um tema rápido e a abrir, um rock que sai na perfeição na reunião em sintonia destes cinco artistas. A música Oxalá foi uma refrescante composição musical que fica muito bem no som dos Ladrões do Tempo, uma combinação de guitarras e vozes em coro. No final o concerto acabou por ser um pouco curto. Ainda assim não faltou o encore necessário a seguir a uma breve saída de palco. O tema Mora na Filosofia foi tocado pela segunda vez para acabar a noite em grande.