Uma das mais conceituadas bandas do universo Indie dos últimos 10 anos, os Beach House têm vindo a construir, desde 2004, uma carreira muito segura e sólida que, passo a passo, se vai revelando como uma das mais interessantes da música Pop contemporânea. Porém, e apesar de se terem estreado nos discos em 2006 (com o homónimo Beach House), foi só ao terceiro álbum, Teen Dream (2010), que o grupo começou a andar nas bocas do mundo e adquiriu o estatuto de “gigante Indie”. Hoje vamos falar do mais recente LP deste duo composto por Alex Scally e Victoria Legrand, Bloom, que saiu pela Sub Pop a 15 de Maio.

Tal como aconteceu com muita gente, Beach House (2006) e Devotion (2008) passaram-me totalmente ao lado aquando do seu lançamento, e foi só em 2010, com Teen Dream, que descobri este duo oriundo de Baltimore. No entanto, e apesar de não poder dizer que são uma das minhas bandas favoritas de todo o sempre, a verdade é que os Beach House e a sua Dream Pop lânguida e terna têm vindo a conquistar um lugar muito especial no meu coração, e depressa se tornaram num dos grupos contemporâneos de que mais gosto.

Para isso também contribui o facto de os Beach House serem um grupo que, a meu ver, tem demonstrado uma tremenda evolução na qualidade do seu som e uma melhoria incrivelmente consistente a cada disco que lançam. Por todas estas razões, e porque soube que o produtor do LP seria Chris Coady (que também produziu Teen Dream), admito que Bloom se afigurou como um dos discos que eu mais esperava para 2012. E a verdade é que, depois de o ouvir, fiquei de boca aberta; superando todas as minhas expectativas, o quarto álbum dos Beach House é uma autêntica obra-prima e o seu melhor registo até à data.

Uma das coisas que mais me saltou à atenção neste Bloom foi, sem dúvida, a forma como os sintetizadores aparecem neste disco. Apesar de não serem nenhuma novidade no som dos Beach House, a verdade é que neste quarto álbum os teclados e a suas melodias sintetizadas aparecem aqui em muito maior número, “enchendo” as canções de tal forma que quase que assumem o papel principal na instrumentação. Isso, aliado às guitarras lustrosas de Scally e a uma muito maior utilização de baterias acústicas (em detrimento das drum machines muito utilizadas nos discos anteriores), faz com que o som de Bloom surja de uma forma muito mais vívida e sumarenta do que nos seus antecessores.

Outro aspecto positivo a salientar neste Bloom é a produção levada a cabo por Chris Coady e os Beach House,e que faz deste disco algo de muito especial. Misturando de forma algo contraditória uma estética polida e límpida com um som cheio e espesso, o quarto registo do duo apresenta uma inusitada aposta numa autêntica parede de som doce e etérea, criada com a ajuda dos já referidos sintetizadores e duma panóplia variada de efeitos donde se destaca o reverb. A isto junta-se a genial estrutura do disco, que se assemelha a um novelo que se vai desenrolando e evoluindo, e que faz com que cada canção esteja em conformidade com a sonoridade geral do álbum mas retenha características e detalhes que a tornam diferente de todas as outras.

No que toca às letras, os Beach House continuam a fazer aquilo que sabem melhor, versando novamente sobre os temas do romance, do amor e dos desgostos do coração daquela forma tão jovial e apaixonante que tanto sucesso faz. No departamento vocal, Victoria Legrand mantém o seu registo grave e elegante e consegue mais uma vez seduzir-nos e hipnotizar-nos completamente, fazendo passar uma sensação de calor que contrasta de forma perfeita com a paisagem sonora mais fria e etérea que o duo cria. Quanto aos defeitos, confesso que não tenho nada a apontar, pois Bloom é um raro caso de quase-perfeição em forma de álbum.

Na hora de escolher as minhas canções favoritas, vi-me a braços com uma tarefa verdadeiramente difícil. No entanto, depois de muitas voltas à cabeça, lá consegui apontar a sonhadora Myth, a densa Wild, a “saltitona” Lazuli, a delicada Other People e a fortíssima The Hours como os momentos altos deste Bloom. Quanto aos pontos fracos, admito que só mesmo a desinspirada On the Sea me deixou de pé atrás, pois a qualidade das canções é extremamente consistente ao longo de todo o álbum.

Resumindo, ao quarto álbum os Beach House refinaram a sua fórmula e mostraram um grande salto qualitativo em relação a Teen Dream. Esteticamente irrepreensível, liricamente apaixonante e musicalmente envolvente, Bloom é uma obra-prima que roça a perfeição, e que mostra que os Beach House ainda são a banda que melhor Dream Pop faz actualmente. Apesar de não ser o meu álbum favorito de 2012, a verdade é que este Bloom vai com certeza estar bem no alto da minha lista de final de ano. E seria um erro se vocês não lhe dessem pelo menos uma oportunidade de vos conquistar o coração.

Nota Final: 9.2/10

*Por opção do autor, este artigo foi escrito segundo as normas do Acordo Ortográfico de 1945