Os norte-americanos Circa Survive tornaram-se conhecidos nos últimos oito anos pelo seu rock progressivo de topo. O último registo, Violent Waves, não fica aquém das expectativas. Os álbuns anteriores fizeram do grupo um verdadeiro culto e já têm, portanto, um número considerável de fãs. Pelo que decidiram arriscar e fazer deste Violent Waves uma edição de autor, completamente independente de editoras.Apesar de estar no ativo há pouco mais de década e meia, o vocalista e líder da banda, Anthony Green, conta já com dezenas de registos gravados, tanto em nome próprio como em várias bandas. O grande número de trabalhos gravados é já um cliché na linha americana das bandas de rock/metal progressivo, mathcore e derivados.

A longa faixa de abertura, Birth of the Economic Hit Man, começa com uma introdução, seguida de uns refrões bonitos e uns twists. Segue à moda do rock progressivo mais moderno, com umas referências ao hardcore e ao post-rock das décadas de 1990 e 2000.

A Sharp Practice é mais rápida, com toques do rock alternativo e de indie rock. Destaca-se a voz aguda do vocalista. Como uma mistura de Chester Bennington com Billie Joe Armstrong, mas em versão feminina. Curiosamente isto não condiz com a voz “falada” de Anthony Green, que, apesar de não ser nenhum Eddie Vedder, é relativamente normal.

Ao fim de quatro ou cinco faixas confirma-se que o disco é surpreendentemente bom. Há um grande esforço em ter sonoridades originais, quase sem se ouvir a mesma coisa duas vezes. Esse esforço é bem conseguido porque, apesar de tudo, a variedade está muito bem “colada” dentro deste álbum. Canções como The Lottery trazem uma cheirinho de hardcore à mistura.

De resto, temos uma combinação de canções mais indie-pop-rock com bocadinhos de rockalhada progressiva pelo meio. A Phantasmagoria é um bom exemplo dessa fórmula, uma canção calma com um clímax mais pesado a 3/4 do fim.

Brother Song é um momento a recordar, podia ser um resumo [e é o clímax] do álbum. Com a Bird Sounds e a Blood from a Stone aparecem novos sons, sempre com a coerência e originalidade das faixas anteriores. I’ll Find a Way é o nome da última faixa, que é equivalente em qualidade à Brother Song, pelo que é de audição obrigatória. Por volta dos 5 minutos aparece uma musiquinha instrumental que serve – e que bem o faz! – para encerrar o álbum.

Numa nota final, é um trabalho verdadeiramente fantástico. Poderia dizer-se que todo o rock alternativo, progressivo, indie, ou seja lá o que for, feito nas últimas duas décadas é uma cópia deste álbum – não fosse ele próprio de 2012. Com isto quero dizer que, apesar de continuar muito à frente para a nossa época, se o disco tivesse sido lançado há vinte anos, estes cinco músicos iam ter um sucesso muito mais reconhecido.

De sublinhar que este feito foi conseguido sem a ajuda de uma editora. Ou será que a ausência de editora é que deu asas ao grupo para se expressar? E com esta bomba termina o artigo desta semana.