Desde 2009 a televisão pública custou ao Estado cerca de mil milhões de euros. Este total resultou de transferências de capital (prestações sem contrapartida) e indemnizações compensatórias. A juntar a isso está a contribuição audiovisual que, todos os meses, os portugueses pagam com a fatura elétrica. 

Segundo os dados da Direção-Geral do Tesouro e Finanças, hoje citados pelo Jornal de Negócios, o Estado injetou na RTP 488 milhões de euros (com IVA já incluído) em indemnizações compensatórias, sendo que em termos líquidos o valor corresponde a 398,7 milhões de euros. Quanto às transferências de capital, o Estado injetou 597,2 milhões de euros e, apenas durante este ano, o valor foi de 348,3 milhões de euros direcionados ao pagamento de empréstimos financeiros. Só por estas duas premissas a RTP recebeu do Estado, em quatro anos, cerca de mil milhões de euros. No que diz respeito às contribuições audivisuais, em três anos (de 2009 a 2011) o canal recebeu cerca de 376 milhões de euros.

A RTP está a dar lucro há dois anos, mas o seu capital próprio ainda é negativo. O que aconteceu foi que estas injeções do Estado ajudaram a aliviar a dívida do canal, mas os resultados transitados estão num valor negativo de 1,7 mil milhões de euros. Almerindo Marques foi nomeado para presidência da RTP em 2004 para tentar dar a volta a esta questão, mas já foi sucedido por Guilherme Costa e o processo não tem sido fácil. Este ano essa transferência de capital foi de 348,3 milhões de euros (no final de 2011 o valor rondava os 516,4 milhões de euros).

O endividamento do canal público diminuiu cerca de 700 milhões de euros em quatro anos, mas em fevereiro deste ano foi apontado um número de 171,9 milhões de euros relativos a passivos bancários. Quem ficar com a concessão da RTP terá que lidar com esse número arrebatador.