O realizador António Pedro Vasconcelos, um dos rostos do manifesto contra a privatização da televisão pública, apelou na TSF à intervenção do Presidente da República e do CDS-PP para travar os planos de alienação da exploração do canal público.

Em entrevista à rádio informativa, o cineasta deixou um apelo direto a Paulo Portas: «Só o CDS é que pode acordar e perceber que isto que se está a fazer vai contra o ADN do seu partido. Goste-se ou não do CDS, é um partido patriótico, que tem o sentido daquilo que é a soberania nacional. Fico à espera que o doutor Paulo Portas, enquanto presidente do partido e membro do Governo, tome uma atitude, peça contas e, eventualmente, se este desvario for por diante, provoque a queda deste Governo».

António Pedro Vasconcelos, que qualificou a última ideia sobre a privatização da estação pública como «sinistra», apelou ainda aos portugueses para que se mobilizem.

O CDS-PP veio ontem criticar a «ligeireza» de António Borges na abordagem dos eventuais despedimentos do trabalhadores da estação pública: «Os trabalhadores da RTP são um ativo, não são um passivo, são na sua maioria quadros qualificados, pessoas com mais-valia para o ramo, e não se pode simplesmente chegar a uma entrevista e dizer que passam como um passivo para um qualquer concessionário», declarou à Lusa o deputado Raúl Almeida. Disse ainda ter ouvido «umas ideias vagas, algumas das quais posso compreender em tese, mas que carecem de fundamentação, de explicação detalhada, e que teremos que encontrar muito bem explicada antes de termos uma posição oficial sobre esta matéria».