Ainda condicionados pela chuva que teimou em continuar durante o dia, mesmo que em doses mais moderadas, os festivaleiros calçaram e vestiram a rigor para a noite de concertos em que Sleigh Bells partiram tudo. A festa fez-se também com as batidas pujantes de Totally Enormous Extinct Dinossaurs e do francês Kavinsky.

A tarde deitou-se ao som de Willis Earl Beal no Palco Vodafone FM mas foram Kitty, Daisy and Lewis quem tiveram honras de abertura do Palco EDP. Auxiliados pelo pai e a mãe, os britânicos saltaram de um instrumento para outro, desde o piano, banjos, cavaquinho ou acordeão, sempre com a guitarra distorcida e a harmónica a marcarem o compasso e animaram as pessoas que iam chegando ao recinto.

Seguiram-se-lhes os Midlake. Estreantes em território nacional (facto que os próprios registaram) e, bastante acarinhados pelos fãs que à frente do palco se acumularam e os aplaudiram, trouxeram a nostalgia folk do Texas mas não conseguiram levantar do tapete de relva sintética (e seca), a maioria dos presentes. No palco secundário Dry the River pareciam ser uma continuidade da música delicodoce do palco principal.

De regresso a Paredes de Coura, onde estiveram há dois anos, e ao palco principal, os Temper Trap conquistaram o já bastante composto anfiteatro, ao apresentarem os singles de Conditions (2009) e do álbum homónimo saído já este ano. Nós, abandonámos o palco principal e dirigimo-nos ao Palco Vodafone FM onde Patrick Watson protagonizou (até agora) o concerto mais delicioso do festival. Dono da melhor gargalhada do mundo e de um génio invulgar, Watson & Cª deliciaram os presentes com visitas a Adventures in Your Own Backyard, disco maravilhoso deste ano. Momentos como Words in the Fire, tocada com guitarra acústica e violino-serrote são uma seta direta ao coração. Em Into Giants Patrick Watson canta “Time is running fast” e pensamos que o tempo deste concerto é demasiado escasso. Em boa hora o músico arriscou desafiar a organização, tendo regressado para um encore não previsto com The Great Escape a levar o embevecido público ao delírio.

Sleigh Bells foram o primeiro grande concerto do festival. Com muito treino e horas de ginásio, Alexis Krauss, feita leoa, domou a plateia rendida que gritava “Oh pá que poder!”. Foi uma descarga de som enviada pela parede de amplificadores que lhes serviam de cenário e ritmo, malhados por riffs de guitarras e a energia de Alexis que, além de tudo, é gira que se farta.

Seguiram-se dEUS e Tom Barman fez notar que é terceira vez que tocam em Paredes de Coura e a enésima no nosso país, onde mantêm fiéis devotos. Exímios no uso das guitarras (e Klaas nos teclados e violino a fazer-nos suspirar) em palco as suas músicas ganham ainda mais vida. Tocaram temas dos seus mais recentes álbuns e revisitaram temas que os fizeram notáveis, como Suds & Soda, Instant Street ou Fell of the Floor, mas nem esses pareceram movimentar muita gente. Uma vergonha, diríamos. Keep you Close, o tema homónimo do disco de 2011 é um excelente tema nostálgico à la Ideal Crash (1999) e Quatre mains, que abre Following Sea é um dos temas mais fabulosos do discreto álbum que foi lançado já este ano. À maioria, soou indiferente.

Digitalism abriram as hostilidades às malhas de electrónica passando excitação, entusiasmo e energia que atingiram o auge no concerto/atuação de Totally Enormous Extinct Dinossaurs, um show de rebentou com a tenda. As suas músicas electro pop dançadas por performers burlesco-futuristas, fizeram, por fim, esquecer os dois primeiros dias de chuva.

A festa continuou ao som de Vincent Belorgey aka Kavinsky, músico e produtor francês mandado para a ribalta com a excelente banda sonora do filme Drive, que pôs a tenda gigante (ainda assim, pequena) a dançar e a entoar Nightcall pela noite dentro.

O primeiro dia “a sério” da festa dos 20 anos de Paredes de Coura encerrava assim em ambiente festivo. Nas tendas ia-se limpando os restos de lama e o dia seguinte haveria de nascer solarengo.