Uma atuação inspirada de Jessie J e a festa já cliché patrocinada por David Guetta marcaram a noite de despedida da 16.ª edição do festival Sudoeste TMN. Em jeito de balanço global, houve na Zambujeira do Mar, em comparação com o ano anterior, melhor música e mais segurança.

Dou a mão à palmatória no que toca a Jessie J. Apesar de interpretar um estilo pop que não me aquece nem arrefece, vi o espetáculo e dou-lhe nota bastante positiva. O bolo foi uma presença sedutora e uma interação vibrante – durante e entre os temas – com o público (repleto de fãs, que pelos vistos não se confinam à faixa etária adolescente); a cereja no seu topo foram as escaladas vocais sem desafinação alguma, pelo menos que fosse notada. O hit Price Tag pôs a multidão a cantar e a gingar, depois de uma semana em que, principalmente para a alimentação, foi preciso andar sempre a contar os tostões. O concerto contou com, claro está, histerismo ininterrupto nas primeiras filas.

O último dia de concertos tinha começado com o esforço inglório de Best Coast e a adrenalina de The Vaccines, que, ainda assim, também não tiveram grande sucesso na captação de público. Preencher o cartaz com indie rock num festival como este é sempre uma aposta arriscada, mas lá deu para desanuviar. Seguiram-se Two Door Cinema Club, com a “casa” já muito melhor composta e as câmaras e telemóveis erguidos para captar a prestação do conjunto britânico. Os sons frescos e festivos das guitarras e teclas caem que nem ginjas, e diz quem conhece melhor que a escolha das músicas correspondeu às melhores expetativas. Foi um concerto divertido e o recinto não se coibiu de dançar. Um ponto negativo foi (é) o facto de as músicas soarem todas demasiado parecidas, e não ter havido, salvo raras exceções, grandes variações na intensidade do ressoar das colunas.

A noite no Palco TMN acaba com o DJ “residente” David Guetta. Um desfilar de sucessos comerciais e o êxtase completo dos milhares de pessoas que se quiseram despedir de uma semana de festa em grande. Ainda assim, houve alternativas: o palco MEO Reggae Box ainda bombava, e a tenda electrónica também chamava muitos – principalmente DJ Ride, que para além de lançar a admiração com o seu video scratching, imagem de marca, ainda levou como convidado Stereossauro: compôs-se, então, a dupla de campeões mundiais de scratch – Beatbombers.

Foram muitos os que só abandonaram a tenda eletrónica já depois do nascer do sol, cruzando-se no parque de campismo com os que fizeram direta, arrumaram a trouxa durante a madrugada e quiseram partir bem cedo. Com um serviço de transportes sem falhas a apontar e com os festivaleiros sem problemas em adormecer, as viagens de regresso “à realidade” foram tranquilas e nada custosas.

Numa perspetiva subjetiva e naturalmente bastante enviesada, pareceu-me que o nível de convivência durante toda a semana foi bastante melhor que há um ano, com os “broncos” mais apagados e mais harmonia no quotidiano campista. Um aspeto não muda: não há quem saia do Sudoeste sem novas amizades e sem ter a lista telefónica atualizada. Por falar nisso, alguém ficou com o número daquela miúda do top vermelho? Tudo isto se torna mais agradável quando dormimos com as sapatilhas fora da tenda e na manhã seguinte ainda lá estão – felizmente, ao contrário da edição anterior, não há relatos de assaltos ou outros incidentes. O mesmo número de seguranças, porventura uma melhor estratégia.

Fotografias por Sara Alves