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Vagos Open Air – Dia I – Vortex na Lagoa de Calvão

Quando miúdos, entre fumos esotéricos e arsenais de comida, a descobrir a densidade sonora de Blodhemn dos Enslaved ou a velocidade de With Fear I Kiss the Burning Darkness dos At the Gates, sonhávamos com a ideia, de que um dia, eles vinham tocar ao nosso quintal.

É um prazer e um orgulho ver um festival como o Vagos Open Air apresentar um dos cartazes mais consistentes e fortes de sempre, com cinco estreias em solo nacional, onde bandas como Enslaved ou Coroner têm de ser relegadas para a tarefa ingrata de tocarem à hora do jantar.

Coube aos portugueses Disaffected abrir as hostes e partilhar a alegria do death metal, do progressivo e do jazz, neste retorno aos palcos que saciou os mais veteranos e aguçou a curiosidade dos novatos.

A armada folk chegou com os Northland e os Elueveitie, que guerreiros e cavalgantes, abriram o salão de baile. Festa folk musculada com vários passos de dança, acompanhados pelo violino, bandolim ou o hurdy-gurdy.

Os Enslaved trouxeram a toada da noite, e criando um vortex progressivo debitaram temas como Fusion of Sense and  Earth e Giants, arrebatando com uma furiosa cover da Immigrant Song dos Led Zeppelin.

Com um som inicial muito débil e descaracterizado, a banda avantgarde Arcturus, agora liderada por ICS Vortex, esforçou-se por cativar o público. Problemas técnicos resolvidos e com o público ciente da lenda a que assistiam, o concerto foi evoluindo no seu astral circus metal, muito estranho aos incautos, entranhado pelos fãs de longa data.

A maior falange de público surgiu em At the Gates, banda que ao primeiro riff conquistou a casa. Liderados por Tomas Lindberg, deram um concerto portentoso, idolatrados no circle pit ao som de “Blinded by Fear” e “Slaughter of The Soul”.

nasum

A fechar a noite, com um imerecido abandono do público, os Nasum entraram para devastar.  Um turbilhão sonoro de grind, emotivo e arrepiante, numa homenagem ao malogrado Mieszko Talarczyk, desaparecido em 2004 no tsunami da Indonésia. Única oportunidade e momento indelével para os que resistiram.

Anos e anos depois, a poucos quilómetros de casa, encontramo-nos reunidos no parque de campismo do Vagos Open Air. O brilho nos olhos fala por si…

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