O Cavaleiro das Trevas Renasce nos cinemas portugueses já esta Quinta-feira, perante o máximo entusiasmo e expectativa de fãs ou meros curiosos por Batman e pela trilogia de Nolan. Marcado, uma vez mais, pela tragédia – o tiroteio de há poucas semanas em Aurora continua a estar bem presente na memória de todos – , depois da morte de Heath Ledger ainda antes da estreia do anterior O Cavaleiro das Trevas, o novo filme de Christopher Nolan parece não estar a ressentir-se nas bilheteiras lá fora.

Desgraças à parte, certo é que Christopher Nolan não deixou que a desilusão fosse sequer uma possibilidade para o espectador, trazendo para o grande ecrã um filme tão bom ou melhor que O Cavaleiro das Trevas. Um elenco de fazer inveja e cenas, como sempre, de cortar a respiração, são alguns dos muitos presentes que este renascer de Batman traz consigo.

O Cavaleiro das Trevas Renasce, a épica conclusão da trilogia do realizador, passa-se oito anos depois da fatídica noite em que Batman desapareceu, passando, nesse momento, de herói a fugitivo. Ao assumir a culpa pela morte de Harvey Dent, o Cavaleiro das Trevas sacrificou tudo o que para ele e para o Comissário Gordon era um bem maior. Mas, por um momento, a mentira funcionou e a actividade criminosa em Gotham City foi destruída graças à lei anti-crime de Dent. Todavia, tudo muda com a chegada de uma gata silenciosa e astuta, com propósitos misteriosos. Muito mais perigoso, no entanto, é o aparecimento de Bane, um terrorista mascarado cujos planos implacáveis para Gotham vão fazer Bruce Wayne sair do seu auto-imposto exílio. Mas mesmo a usar novamente a sua máscara e capa, Batman pode não estar à altura de Bane

O argumento resulta dos acontecimentos dos dois filmes anteriores – Batman – O Início e O Cavaleiro das Trevas –, onde algumas personagens reaparecem, mesmo as mais inesperadas, vindas do primeiro ou segundo capítulos. Para além do protagonista, e dos habituais Comissário Gordon, Lucius Fox e o mordomo Alfred, surgem duas novas belas mulheres neste terceiro filme da saga. Selina Kyle, a tão famosa Catwoman, e Miranda Tate. Outra novidade é o jovem polícia Blake. O vilão também é novo e bem mais forte do que o costume, Bane chega para ressuscitar e mostrar as fragilidades de Batman. Todas as personagens de relevo parecem ter muito para dar e só é pena não as podermos apreciar ainda melhor.

Inicialmente, vamos conhecendo a nova Gotham, tranquila e segura há oito anos, ao mesmo tempo que compreendemos as ameaças que estão por vir, e as novas personagens são-nos apresentadas. Com uma primeira metade bastante morna, apesar de essencial para compreender e entrar na verdadeira dimensão do que se segue, o entusiasmo de O Cavaleiro das Trevas Renasce é recuperado a partir do meio do filme, e tudo se revela espectacular até ao último segundo. A pequena ponta de tédio que poderia ter surgido é totalmente arrasada com todas as emoções fortes que se farão sentir. Tudo o que acontece até ao final é de génio, trazendo consigo uma reviravolta surpreendente. Muito ficará subentendido, aberto à nossa imaginação.

De entre o elenco, recheado de nomes de luxo, são muitos aqueles a destacar. Christian Bale está de volta à pele de Batman, com um desempenho que merece maior distinção do que o que o actor teve em O Cavaleiro das Trevas, e desta vez ninguém lhe rouba o protagonismo. O vilão é, uma vez mais, genial, interpretado por Tom Hardy, numa excelente interpretação, mas nenhum dos actores ofusca o outro, felizmente. Anne Hathaway, actriz acerca da qual muito se especulou se estaria ou não à altura do desafio de interpretar a Catwoman, revelou-se totalmente capaz de conferir a sensualidade, frieza e ousadia que a personagem exige. Marion Cotillard sai-se bem como Miranda Tate e Joseph Gordon-Levitt, no papel de John Blake, prova, como sempre, o seu talento. Morgan Freeman regressa como Lucius Fox, sempre em grande forma, e pena é Michael Caine não ter mais tempo de antena ou a personagem de Gary Oldman não ter feitos mais extraordinários.

No que toca à técnica, Nolan mostra como é possível dar um belo espectáculo visual sem qualquer tecnologia 3D e utilizando a película, de que o realizador é um acérrimo defensor. Recorrendo ao 35 mm e ao 70 mm IMAX, o mesmo filme consegue proporcionar-nos as mais diversas experiências visuais. Tudo isso aliado ao trabalho sempre fabuloso da direcção de fotografia, uma vez mais a cargo de Wally Pfister, que tem tomado as rédeas nesta área na quase totalidade dos filmes de Nolan. Também Hans Zimmer volta a colaborar com o realizador com uma banda sonora sempre à altura.

Os efeitos especiais estão sempre no ponto, há sequências brilhantes, cenas e planos de arrepiar – destaco desde já as cenas passadas no estádio, que podem ser vistas no trailer, e as que a antecedem. Tudo o que vemos deixar-nos-á verdadeiramente incomodados, dado o clima de anarquia a que se assiste. De realçar é ainda, em momentos iniciais de O Cavaleiro das Trevas Renasce, a cena com o avião (que também surge parcialmente no trailer), que me fez recordar um pouco a fantástica cena do corredor de A Origem, também protagonizada por Joseph Gordon-Levitt.

E aí está um dos mais esperados do ano. Batman renasce para a sua cidade e para o seu público. Ele dá tudo a Gotham, Christopher Nolan dá-nos tudo a nós.

9/10 

Ficha Técnica:

Titulo Original: The Dark Knight Rises

Realizador: Christopher Nolan

Argumento: Christopher Nolan, Jonathan Nolan, David S. Goyer (história), Bob Kane (personagens)

Elenco: Christian Bale, Gary Oldman, Tom Hardy, Joseph Gordon-Levitt, Anne Hathaway, Marion Cotillard, Morgan Freeman, Michael Caine

Género: Acção, Aventura, Drama

Duração: 164 minutos

Crítica escrita por: Inês Moreira Santos

*Por opção da autora, este artigo foi escrito segundo as normas do Acordo Ortográfico de 1945.