Para uma legião de fãs, a longa espera terminava finalmente no dia 21 de julho de 2012: após vinte anos de carreira (com um hiatus entre 2005 e 2009) os Blink 182 atuavam pela primeira vez em Portugal. A expectativa era elevada e os rumores apontavam para noite de casa cheia.

À entrada do Pavilhão Atlântico, no entanto, a primeira surpresa da noite: alguns milhares de fãs presentes, sim, mas longe da lotação esgotada que se esperava. Sinal dos tempos, talvez – bilhetes a 35€ em época de crise – ou da perda de popularidade do estilo Pop-Punk que os própios Blink 182 ajudaram a trazer para a ribalta no final dos anos 90.

A abrir o espetáculo, pouco depois das 20h, subiam ao palco os All-American Rejects. Com uma sonoridade a oscilar entre o Power-Pop e o Pop-Punk, a banda de Oklahoma percorreu os maiores êxitos dos seus já quase 15 anos de atividade, tendo conseguido pôr boa parte do público a cantar faixas como Move Along, Swing, Swing, ou a mais introspectiva It Ends Tonight. No entanto, apesar da atuação competente e do flirting do frontman Tyson Ritter com a plateia durante alguns momentos de improviso (flirting esse bem recebido, especialmente por parte de algum público feminino que se percebia ser defensor mais acérrimo do grupo) era evidente que a maioria dos presentes ansiava pela grande atração da noite, os Blink 182.

Chegado ao fim o set dos All-American Rejects, caiu sobre o palco uma cortina negra que escondia os últimos preparativos para a entrada em palco dos cabeças de cartaz. Finalmente, as luzes apagaram-se. Estava iminente o momento por que todos aguardavam. O burburinho do público subia de volume quando de repente – cortina ainda a tapar o palco – soa a primeira nota de baixo. O espéctaculo de luzes começa, deixando antever os contornos da banda por detrás da cortina enquanto a bateria de Travis Barker dá a introdução para a faixa Feeling This. A cortina cai finalmente (sim, cai – e é recolhida pelo staff do espetáculo junto ao palco) e o público acompanha palavra-a-palavra as vozes intercaladas do guitarrista Tom DeLonge e do baixista Mark Hoppus.

Daí em diante, a banda foi alternando inteligentemente entre os seus trabalhos antigos e os seus registos mais recentes, procurando agradar a ambos os tipos de público que marcavam presença na sala: os fãs de Punk Rock, em busca de guitarras distorcidas e baterias frenéticas (e entre estes contavam-se figuras proeminentes da cena Punk nacional como João Ribas, vocalista de Tara Perdida e dos extintos Censurados, demonstrando bem a influência dos Blink 182 e a curiosidade que a sua vinda despertou no meio), e aqueles que descobriram a banda já na sua fase mais “madura” e experimental, caracterizada por melodias mais suaves e letras mais pessoais.

Ao longo de cerca de uma hora de espetáculo, canções como The Rock Show, What’s My Age Again?, First Date e All the Small Things deixaram o público em êxtase, com a maioria dos presentes a saltar e a dançar ao som daqueles que em muitos casos foram clássicos da sua juventude. Temas mais acelerados como Dumpweed deram mesmo origem a circle-pits de dimensões respeitáveis. E não deixa de ser notável que uma mesma banda seja capaz de, num mesmo concerto, criar não só ambientes tão explosivos quanto esses mas também momentos de “isqueiro-no-ar”, como o foram as interpretações de Down e I Miss You. Com menos entusiasmo foram recebidos alguns dos temas do albúm Neighborhoods, de 2011, nitidamente ainda não assimilado por boa parte da audiência.

Como não poderia deixar de ser, Tom e Mark não se coibiram de intercalar com as canções vários momentos do humor juvenil pelo qual são bem conhecidos – e que, embora para alguns possa já soar um pouco forçado vindo de senhores perto dos seus “quarentas”, ainda assim arrancou gargalhadas e aplausos. Não faltaram também elogios ao público – “o melhor da tour” – e às mulheres portuguesas – “muito mais bonitas que as de Madrid“. E, não fosse o sexo masculino sentir-se negligenciado, Mark não tardou em acrescentar que, pelo menos de acordo com o baterista Travis, também os cavalheiros portugueses batiam as madrilenas aos pontos.

Finalmente, após 16 temas com muita diversão, transpiração e “sing-along” à mistura, a banda despedia-se do palco com Josie, um dos clássicos do álbum Dude Ranch, que terá feito as delícias dos fãs de longa data. Mas o público queria mais e fez-se ouvir. E os Blink não desiludiram.

Regressou sozinho Travis Barker que, com todos os holofotes postos em si, presenteou a audiência com um impressionante solo de bateria, pondo em evidência aquilo que os mais atentos já sabiam, e que já ao longo de todo o concerto tinha sido patente para quem quisesse ver: estava-se perante um dos mais talentosos bateristas da actualidade dentro do género Punk Rock. A ele se juntaram Tom e Mark para um encore feito à medida dos seguidores da velha-escola, com a velocidade de Carousel e Dammit e a insolência adolescente de Family Reunion.

Nos últimos momentos do concerto, já com os restantes elementos da banda no backstage, Mark perguntou ao público se estava preparado para o “grande final“. A resposta foi claramente afirmativa. Não defraudando as expectativas – ou talvez apenas um pouco – tocou uma nota solta no baixo e foi-se embora. Todos queriam uma música mais, é verdade, mas ninguém terá saído do Atlântico desapontado.

Reportagem: André Moreira (texto) e Catarina Abrantes Alves (fotografia)