Qual é, afinal, o sentido da vida?” é a questão que orienta o novo projeto, ainda em construção, do português Miguel Gonçalves Mendes. Depois de José & Pilar, o realizador lança-se numa nova viagem, ao longo de três anos, em busca do que orienta as vidas de todos nós. O projeto, que será um misto entre documentário e ficção, pode ser acompanhado, a partir de agora, numa plataforma SAPO e todos podem participar, num modelo de financiamento único em Portugal.

O Sentido da Vida centra-se numa personagem, Miguel – não o realizador, mas “uma espécie de alter-ego“, como o próprio adiantou ontem na conferência de apresentação da ideia. Miguel descobre que tem uma doença grave, à qual pode não sobreviver, e decide por isso dar a volta ao mundo para procurar o sentido da existência. Ao longo do caminho encontra seis personagens, arquétipos como um político, um ateu, um comediante, um realizador, um escritor e um músico, cujas diferentes histórias se orientam para a mesma busca. Surge então um sétimo arquétipo, que contempla o mundo do espaço e observa a nossa insignificância: um astronauta.

Influenciado pela jornada de descoberta de José Saramago e Pilar del Rio, que culminou no documentário intimista José & Pilar – e numa indicação aos pré-nomeados aos Óscares 2012! -, Miguel Gonçalves Mendes e a sua produtora, Jumpcut (que criou em 2002), querem agora explorar a ideia de esforço coletivo, de trabalho em conjunto, não só na tela como também fora dela. Assim, numa plataforma online, disponibilizada pela SAPO, convidam-se os espectadores a ajudar “a descobrir o sentido da vida“, através de uma colaboração monetária, da participação no filme ou, até, da sua coprodução.

Um modelo inovador e ambicioso, de crowdfunding, que permite o investimento através de chamadas telefónicas, mensagens escritas (SMS), compra de frames autografados, pré-compra do DVD autografado ou participação com o próprio retrato. Um investimento igual ou superior a 5 mil euros torna o investidor coprodutor do filme, com direito a parte dos lucros do filme. “‘Eu Quero Descobrir o Sentido da Vida’ é um sistema de financiamento que apela ao esforço coletivo num panorama de crise económica, em que não podemos ficar dependentes de (ausência de) subsídios públicos para fazer cinema“, pode ler-se na página oficial.

O realizador pretende obter 800 mil euros para fazer o filme, juntamente com coproduções internacionais, procurando mostrar que o investimento na cultura vale a pena e é necessário, referiu também ontem na conferência de imprensa. Entre outras iniciativas, ainda por anunciar, que pretendem chamar a atenção para o projeto, será lançado um concurso nacional para a criação de um dos cartazes do filme ou para a criação de músicas a incluir na banda sonora.

Esta quinta-feira tem também início, no Cinema City Alvalade, em Lisboa, uma mostra dos filmes do realizador, que termina no primeiro dia de agosto. Pilar Del Río, Camané, Pedro Gonçalves, Valter Hugo Mãe, entre outros, estarão presentes no ciclo para diversos debates que terão lugar em torno dos temas tratados. Será igualmente lançado um pack, em DVD, com os filmes de Miguel Gonçalves Mendes – tudo formas de atrair possíveis investidores e investimentos para o projeto.

Esperemos que daqui a três anos eu vos possa dizer qual é o sentido da vida“, afirmou o realizador na conferência de imprensa. Até lá, http://osentidodavida.cinema.sapo.pt.