O «novo» Ritz Clube, em Lisboa, foi presenteado esta sexta-feira 20 de julho com uma noite de puro rock ‘n’ roll «à antiga». Ou seja, os Murdering Tripping Blues, banda portuguesa com três álbuns já editados, deram um concerto frenético numa sala que lhes assenta muito bem para o estilo de música blues-rock rápido e arrojado.

No concerto de ontem, os Murdering Tripping Blues tocaram temas dos dois álbuns de originais, sendo que o terceiro disco, o recente 1st Time in Color, tem faixas inteiramente gravadas ao vivo. E é exatamente ao vivo que esta banda se sente bem. Com um começo rápido e acelerado, desde logo se notou que Henry Leone Johnson, Mallory Left Eye e Johnny Dynamite traziam o rock influenciado por décadas mais antigas, mas transformado e renovado, tal como o próprio Ritz Clube.

As três primeiras músicas foram sempre a abrir e sem intervalos no meio, o que mostra uma preparação da banda para o espetáculo ao vivo e um conforto musical em cima do palco. Ode To Her, Tune In, Drop Out e Come Into My Waters foram tocadas numa ligação perfeita entre elas e marcaram o ponto de partida antes das primeiras palavras de Henry Leone Johnson dirigidas ao público.

O Ritz Clube acabou por não encher, mas nem por isso os Murdering Tripping Blues deixaram de «rockar» e de puxar pelo público. O riff de Dead Cats On The Line manteve a energia lá em cima depois da mais calma Eyes Off You. A voz de Henry Leone Johnson cai muito bem em Hooked On You, tema muito bem conseguido na «conversa» entre guitarra e a bateria. Por Outro lado, Share The Fire é um hino de riff atrás de riff e que encaixa perfeitamente no som rock ‘n’ roll da banda que começou por volta de 2007.

Musicalmente, os Murdering Tripping Blues criam um bom cenário de energia e eletricidade que é transmitida através da fusão frenética da guitarra, sempre a rasgar, com uma base de teclados suportada pela bateria dinâmica e intensa. A guitarra e a bateria. Os ritmos que estes dois instrumentos conseguem combinar permitem que os MTB sejam uma banda que prima pela sonoridade às vezes um pouco caótica, mas também muito simples e facil de entender.

Os Murdering Tripping Blues também conseguem também criar ambientes mais calmos, como foi demonstrado pela «balada» Broken Lovers na qual os teclados de Mallory Left Eye levaram o público a uma viagem mais atmosférica e espacial. A explosão dos sons surge depois como uma libertação de energia sob o efeito de um riff poderoso na pujante Modern Times, So Simple.

A primeira parte do concerto coube a Fast Eddie Nelson & Phil D, um duo que se caracteriza por tocar uma espécie de blues rude com um toque de rock de guitarra e percurssão forte. Logo no inicio do concerto, Fast Eddie foi marcando o ritmo com o slide na guitarra e a voz grossa a entoar a música com história mais retro.

Ao terceiro tema, e já com Phil D em palco na bateria, Fast Eddie Nelson começou a «disparar» energia influenciada num rock ‘n’ roll de raízes norte-americanas mas como uma forte componente elétrica. A simplicidade das canções permitiu que o público, que ia chegando ao Ritz Clube, pudesse bater o pé no chão e acompanhar os riffs da guitarra. O tema Come Together, uma cover dos The Beatles,  ficou muito bem no alinhamento e serviu bem o propósito de tonar a audiência mais leve e solta numa boa preparação para os Murdering Tripping Blues.

Fotografias: Andreia Martins