Com casa cheia, a terceira noite do Marés Vivas tmn 2012 foi de arromba. Billy Idol e Gogol Bordello foram os protagonistas da noite e fizeram com que o público perdesse bastantes calorias.

Cerca de 25 mil pessoas invadiram ontem a Praia do Cabedelo para o terceiro dia do Marés Vivas tmn. Um dos dias mais apetecidos que tinha como cabeças de cartas Billy Idol e Gogol Bordello que não desiludiram, tendo cumprido, e de que maneira, as expectativas. Mas primeiro, vamos aos portugueses.

Os HMB foram iniciantes da festa no Moche Random Stage e com uma música muito boa onda foram conquistando o público que ia entrando no recinto. Com mais letras no nome, mas também portugueses, os Virgem Suta foramos senhores que se seguiram com o seu estilo tradicional e burlesco. Animaram o muito público do Moche, tanto que já não cabia todo debaixo da tenda.

Passemos ao Palco tmn. Foi, neste terceiro dia, aberto por uma senhora, E-Bony Bones, que não teve tarefa fácil. O público que se encontrava em frente ao palco era pouco, no entanto a cantora tentou ao máximo puxar pelos que lá se encontravam, recorrendo à velha máxima do “Façam Barulho”. Além de animadora de palco, E-Bony Bones apostou num cenário teatral, com todos os detalhes a serem levados em conta. Musicalmente, os temas que a britânica apresentou vieram mais despidos que nos álbuns.

À terceira é mesmo de vez, Os Azeitonas subiram finalmente ao Palco tmn para darem concerto muito bom e com direito a um convidado muito especial. O público já estava conquistado à partida, o hype de Anda Comigo Ver Os Aviões, foi um grande impulsionador para o regresso d’Os Azeitonas ao Marés. O público, sobretudo feminino, que arrastou consigo namorados, amigos e afins, não se desiludiu. O concerto começou ao estilo rádio nos anos 60, ao serem chamados os membros da banda um por um. Definida que estava a linha de ataque, a banda começou a dar indicações muito boas, com um estilo jazz que sabe sempre bem ouvir.

Os singles Mulheres Nuas e Quem és tu Miúda? foram o momento alto da primeira parte do concerto. Porquê a divisão do concerto? Simples, o convidado especial entrou, era Rui Veloso. O músico, também portuense, chegou e encantou, criando uma atmosfera fantástica, com temas como Paixão (Segundo Nicolau da Viola), que não houve ninguém que não cantasse. Outro momento assim foi quando AJ (Miguel Araújo) começou os primeiros acordes de Anda Comigo Ver Os Aviões, que a multidão rapidamente acompanhou nas cantorias, fazendo assim um final fantástico para o concerto.

A noite continuou para um dos concerto mais esperados do festival. Billy Idol, o veterano da punk, regressou a Portugal e deu espectáculo, contrariando as ideias de que não estaria a atravessar o melhor período de forma. Uma hora e meia de espectáculo sem parar, sempre a correr, sempre a dar prendas ao público, Idol foi o herói da noite. Com um público bastante ecléctico, gerações misturavam-se, o cinquentenário agradou a todos, tocando os êxitos de uma carreira impressionante. Podemos dizer que a voz não esteve ao nível de outros tempos, mas o know-how de dar espectáculo está todo lá e esse não desiludiu! Falar do concerto de ontem sem mencionar o guitarrista é proíbido. Steve Stevens arrancou vários aplausos dos festivaleiros por diversas vezes. As acrobacias com a guitarra não deixaram ninguém indiferente e isso foi notório, ao ser um dos mais aplaudidos da noite.

Com a longa festa de Billy Idol os Gogol Bordello tiveram que atrasar um pouco o seu concerto, mas não foi por isso que o público arredou pé do recinto. O Marés Vivas tmn rapidamente se tornou numa pista de dança, apesar do cansaço do público. Com um estilo de música muito próprio, os Gogol Bordello, oriundos de sete nações diferentes, meteram toda a gente no recinto a dançar, mesmo quando as pernas diziam que não.

Foi então com gypsy punk que encerrou o penúltimo dia do Marés Vivas tmn 2012, hoje temos na ementa Mónica Ferraz, os electrizantes The Hives, Anastacia e ainda o português Pedro Abrunhosa.

*Artigo escrito, por opção do autor,  com as normas do acordo ortográfico de 1945.

Fotografias: José Mota / GLOBAL IMAGENS @Jornal de Notícias