Segundo dia da décima edição do Marés Vivas tmn, um dia em que Ricky Wilson foi o grande protagonista do Palco tmn, do palco e não só… Gun e The Cult trouxeram outras gerações à praia do Cabedelo numa noite que começou fria mas acabou a escaldar.

O segundo episódio do Marés Vivas tmn 2012 prometia bastante e as expectativas justificaram-se por completo. O Palco tmn assistiu a um dos concertos mais enérgicos da história do festival, no entanto nem tudo foram rosas, mas antes de lá chegarmos, comecemos com o Moche Random Stage.

Os The Eleanors foram a banda responsável pela abertura do palco, e conseguiram atrair muita gente até à tenda. O seu rock foi mais que eficaz, tendo hipnotizado os festivaleiros logo à entrada do recinto. Ainda no Moche Random Stage esteve Slimmy. O músico português atravessou o rio Douro para dar um concerto que atraiu muitos festivaleiros. No menu tivemos os temas mais conhecidos, que puseram toda a gente a dançar.

O Palco tmn abriu com os Gun, que desde cedo tentaram agarrar o público, no entanto a missão nem sempre foi cumprida. Não foi por falta de empenho, mas a plateia não se quis deixar convencer. Ainda assim, o concerto dos homens de Glasgow teve momentos muito interessantes, merecendo por isso nota positiva.

O Tigre Velho, como se autointitulou, Ian Astbury, front-man dos The Cult, deu espectáculo, fazendo com que este concerto fosse um dos melhores da noite. Demonstrou ter o trabalho de casa bem feito, contando várias histórias dos Conquistadores e falando de Vasco da Gama. Mas não foram só as lições de história que fizeram deste concerto bom, a música dos The Cult agradou a uma plateia bastante ecléctica, onde se podiam ver gerações não muito habituais em festivais de verão.

Falar do concerto dos Garbage é um pouco complicado, mas vamos por partes. Primeiro o reportório. O som distorcido das guitarras é giro, no entanto ao fim de 20 minutos seguidos é cansativo para o público, que estava maioritariamente à espera do próximo concerto. Depois Shirley Manson arranjou uma briga com um espectador que atirou algo para o palco, esta briga ocupou muito, mas mesmo muito tempo do concerto, fazendo com que o público perdesse o ritmo por diversas vezes. No entanto nem tudo é negativo, I’m Only Happy When it Rains, a última música que foi ouvida no concerto, foi o momento mais positivo de um espectáculo que não vai deixar grandes saudades.

Mas já que falei em saudades, o que vai deixar saudades vai ser o concerto de Kaiser Chiefs. Que grande espectáculo que a banda do louco Ricky Wilson deu. Com o público conquistado logo à partida, os Kaiser Chiefs não se acomodaram, mas continuaram sempre a esforçar-se, tendo até apresentado novas músicas ao público português. Os dedos das minhas mãos não chegam para poder contar os grandes momentos do concerto da banda britânica, no entanto tenho que destacar dois em que Ricky fez das suas. Primeiro enquanto tocava I Predict a Riot o vocalista, começa a subir a estrutura do palco, depois, sem se saber como, o público fez apostas em teletransporte, aparece no alto, junto ao muro da vedação do recinto. O público desliga do palco e começa apenas a olhar para o lado direito. Os Kaiser sentiram-se em casa e isso foi notório, ao serem ditas palavras como Nós somos os Kaiser Chiefs do Porto, Portugal!

O Marés Vivas tmn vai ainda a meio, faltando dois dias de grande animação. Para hoje o destaque vai para o veterano Billy Idol, mas não devemos esquecer as actuações de Gogol Bordello, E-Bony Bones e ainda o momento fofinho da noite com Os Azeitonas.

*Artigo escrito, por opção do autor,  com as normas do acordo ortográfico de 1945.

Fotografias: José Moita / GLOBAL IMAGENS @Jornal de Notícias