Em causa estão euros, tempo, disponibilidade física e mental e mais. Como tal, dar 100 euros para três dias de festival, ou 50 para um só, torna-se uma decisão difícil de acarretar. Até porque, dentro de um recinto como o do Optimus Alive, quem não segue os conselhos da mãe e se avia em terra para ir para mar, é forçado a tirar peso à carteira.

Exceptuando-se a nova medida introduzida na presente edição do festival, que espalha por todo o espaço colaboradores a oferecer água aos festivaleiros – merecedora de aplauso -, tudo ali se consegue a um preço, a um preço que dói a qualquer um. Bem, neste universo não incluo naturalmente os bretões ávidos pelo estado de total ebriedade, dispostos a “investir” dois euros por cada 20cl de cerveja, isto durante dias inteiros. O cansaço impingido por horas a fio em pé e ao calor, a somar àquele que é acumulado durante alguns concertos exigentes para com as pernas e braços, é também um factor a considerar. Não menosprezando ainda todo o embaraço implicado nas viagens de ida e volta, com filas estáticas para comprar bilhete e entrar no comboio.

Quem compra um bilhete para este tipo de festivais, como eu, deve à partida estar a par de todos estes senãos. No entanto, sem querer dar lugar a contradições, há que ter discernimento para definir prioridades. Refiro-me, neste tópico, à questão musical. Dá-me a volta ao estômago ouvir, como ouvi algures: “Só vim aqui para ver LMFAO“. Não pretendo, de qualquer maneira, questionar os gostos musicais seja de quem for. Agora, o conceito de festival é muito diferente do de concerto. Concertos há-os durante o ano inteiro nos pavilhões atlânticos, nos coliseus dos recreios, nos campos pequenos. Facto: os LMFAO estiveram há bem pouco tempo no Coliseu dos Recreios e também já foi anunciado neste Optimus Alive! a sua presença no Algarve, no próximo mês de agosto.

Quem diz LMFAO diz Florence & The Machine. Sim, eu também preferia estes últimos a Morcheeba. E sim, no concerto de Morcheeba o público esteve, no geral, céptico e passivo. Presto aqui homenagem à humildade e disponibilidade reveladas pela banda britânica. A própria vocalista teve a sensibilidade para entoar um dos refrões mais protagozinados por Florence Welch (o cover You’ve got the love), como que em jeito de pedido de desculpas ao público. Da minha parte, desculpas mais que aceites. Desculpas endereço também aos fãs de Florence & The Machine pelo que estou prestes a dizer. É impercetível que se tenham posto à venda bilhetes diários e – assisti eu – passes completos, depois do cancelamento repentino da banda.

Se há coisa que tenho aprendido, na pouca experiência que ainda tenho nestas andanças, é que, quando vou a um festival de música, as bandas em que deposito poucas ou nenhumas expectativas são, regra geral, aquelas que mais acabam por me surpreender. Esta edição do Optimus Alive! está a reiterar a minha teoria na perfeição. Ironicamente, as bandas que encabeçam os cartazes e correm todos os suportes de publicidade e marketing possíveis e imaginários, por vezes, são as que mais desilusão provocam, e aqui que me perdoem os lendários The Stone Roses, mais especificamente Ian Brown que, não fosse a excelência e brilhantismo dos músicos que o levaram ao colo, provavelmente teria de se ver a braços com alguns apupos chovidos da multidão. Lá vontade não me faltou. Só que quando estava prestes a perder a cabeça, a guitarra de John Squire devolvia-me a sensatez.

Posso garantir que a organização do Optimus Alive 2012 não me pagou para defender o festival, até porque já apontei o dedo a alguns pontos débeis do mesmo. E não queria deixar de questionar aqui o Alive acerca da quantidade monstruosa de bandas britânicas no cartaz, uma vez que, mesmo sendo um festival de porte internacional, o Optimus Alive é um exclusivo do nosso país. Logo, não há que temer a inclusão de mais bandas portuguesas no programa porque, até mais ver, aquelas que já atuaram estiveram, em geral, ao nível da reputação do festival.

No entanto, o balanço é positivo. O importante nestes arraiais é a diversidade e não o exclusivismo porque, se cada cartaz fosse feito só de bandas consagradas e com a subscrição total do público, um festival como este e outros só teria uma ou duas edições. Tem que haver espaço para lançar outros nomes. Para o ano, pense-se e repense-se antes de se comprar o bilhete.