Living Things é o título do quinto registo da banda Linkin Park, e consegue certamente combater todas as expetativas menos boas vindas de um público mais velho, com saudades da sonoridade do Hybrid Theory (2000). O álbum conta, tal como o anterior A Thousand Suns (2010), com uma coprodução de Rick Rubin e Mike Shinoda.

Lost in the Echo é o resumo do álbum que aí vem. Variedade, acima de tudo. Começa com sons eletrónicos que transparecem a influência de estilos como House e Techno. E porque esta faixa é feita de variedade, temos rap do sr. Shinoda, a voz do Chester Bennington e combina ainda, de maneira muito inteligente, a eletrónica com o som mais metaleiro dos primeiros álbuns.

A segunda faixa, In My Remains, junta uma pitada de Minutes to Midnight (2007) à receita da faixa de abertura. Fica portanto mais radio-friendly.

Burn it Down segue a fórmula à Shinoda, desta vez menos orientada para o rock e mais eletrónica. Lá para o final ficamos com a impressão de estar a ouvir a mesma coisa desde o começo do álbum, e começa-se a pensar em saltar faixas se a sonoridade continuar sempre assim.

Coisa que não acontece, porque surge a Lies, Greed, Misery, e mesmo não sendo nada de especial per se, tem algum interesse porque consegue transmitir felicidade durante os momentos de gritaria. Gritaria à Nu-metal de finais de séc. XX.

I’ll be Gone é uma cançoneta à Minutes to Midnight, e mais particularmente ao estilo da What I’ve Done. À primeira vista não parece uma boa escolha para entrar neste álbum, mas acaba por encaixar perfeitamente, porque, apesar de não contribuir com nada de novo na história da banda, ajuda a esquecer o sabor inicial do álbum, que apesar de agradável, já estava a ficar gasto. É radio-friendly q.b. Presume-se entretanto, que por o ouvido já ter esquecido as primeiras faixas, as próximas regressem a essa fórmula inicial.

E surpresa, a Castle of Glass começa no entanto com uma sonoridade “baladesca” à Minutes to Midnight. Segue em crescendo e percebe-se que o clímax do álbum está para chegar.

Victimized atinge esse clímax, e é a pequena [dura pouco menos de 2 minutos] obra-prima do disco. É também, até agora, a primeira faixa que merece ser guardada na prateleira dos clássicos, e em consequência disso, a ser escutada independentemente do álbum. Tem um ecletismo impressionante, com sons eletrónicos frescos, momentos de baladas de rock à Anos 70, Rap, e ainda Metal agressivo dentro do estilo dos primeiros álbuns.

A Roads Untraveled não parece nada de mais, mas é fresca e inovadora, e à medida que avança torna-se mais interessante. É efetivamente uma canção à Beatles, com toda a modernidade do séc. XXI, e funciona por não ser um estilo habitual nos Linkin Park. Mais uma que merece ser ouvida fora do contexto do disco.


A nona faixa, Skin to Bones, surpreende pelo mesmo motivo da anterior. Vem trazer estilos novos e influências bem disfarçadas dos ritmos do Soul e do R&B, sem nunca perder o som de assinatura do grupo. Um ouvido atento vai ouvir no refrão semelhanças com o Fado, embora fosse rebuscado demais afirmar à descarada que foi essa a influência principal nesta canção.

Na Until It Breaks, e como sugere o título, somos convidados a puxar pelo subwoofer. Começa uma mistura de sons eletrónicos à Skrillex com os ritmos do Hip Hop oldschool. Aparece ainda um refrão limpo como nalgumas baladas anteriores da banda. Mais à frente surge a transição para um novo momento à Beatles, em que o guitarrista Brad Delson tem o seu primeiro momento de destaque vocal na história da banda. É interessante porque tem uma estrutura muito pouco repetitiva.

A Tinfoil é um prelúdio instrumental muito bonito para a última faixa. Entretanto a expetativa é que essa última faixa seja uma balada, com um clímax e uma conclusão entusiasmante. O final chama-se Powerless e, não surpreendentemente, corresponde às tais expetativas.

Não há, no geral, muito material novo, mas a forma inteligente como conseguiram misturar e ordenar o que já tinham desbravado musicalmente deixa boas expetativas para o futuro da banda. A predominância do Mike Shinoda na composição, performance e produção tornou-se vantajosa. Se o objetivo deste registo é cativar tanto os fãs oldschool como os mais novos, esse objetivo vai certamente ser cumprido. Jogada inteligente, Linkin Park.

Nota final: 8,1/10

Rui Brandão