O primeiro dia de Optimus Alive poderia ter sido bem melhor, disso ninguém pode duvidar. Mas olhando para o cartaz e usando algum sentido crítico, também se podia  antecipar que não seria, de todo, o dia melhor em termos de escolhas musicais.

Com muita humidade mas igual dose de calor humano se passou confortavelmente esta sexta-feira treze, na companhia dos aguardados The Stone Roses, os acarinhados Snow Patrol e os franceses da eletrónica – Justice – que deixaram todos em transe. Os portugueses Buraka Som Sistema acabaram por ser o ponto alto da noite, fazendo “mexer o bum bum” sem preconceitos a todos os que se juntaram para os ouvir.

Ossos de outros ofícios obrigam-me a chegar perto das nove. Não sei se por graça ou mera coincidência, ainda ouço o refrão da musica que entoa em todo o lado a todo o momento (e que rebelia!): “Eu durmo com quem eu quero e faço o que me apetece”, em repeat. Era a Miuda, o projecto de Tiago Bettencourt, Fred Pedro Puppe com voz de Mel do Monte que tem dado que falar, mas que eu só pude escutar de longe enquanto entrava no recinto. “Pelo menos ouvi esta“, pensei.

Às 21h10, mais coisa menos coisa,  chegam os escoceses Snow Patrol. A banda, que já cá esteve inúmeras vezes, entre as quais no Rock In Rio de 2010, demonstra a habitual simpatia, doçura e boa comunicação com o público de Gary Lightbody, que ajuda sempre a aquecer os corações dos fãs. As habituais Run, You’re All I Have, Chasing Cars, Shut Your Eyes e Open Your Eyes não faltaram e fizeram os fãs cantarolar e pôr as mãos no ar. Gary muito agradeceu: Thank You e Obrigado, entre elogios ao público português.  As mais recentes In The End ou o previsível final com Just Say Yes também puxam pelo público, mas há um notório grupo de pessoas que claramente vieram a Algés para ver os Stone Roses e os cabeças de cartaz Justice. Parecem desconhecer e não dar muita atenção a Snow Patrolque actuam no meio de um tempo húmido de “chove não molha” (que não podia estar mais em consonância com este primeiro dia de concertos). Gary, o vocalista, tece ainda elogios aos Roses, dizendo que são uma das bandas de eleição dele e que “fica muito contente por se terem voltado a reunir”.

Há quem diga que os Stone Roses desiludiram. Mas para quem viu, como eu, do meio da multidão de meia idade que se ia juntando no palco principal, parece-me que não foi bem assim que a história aconteceu. Muitos dos fãs entoaram entusiasmados o refrão (e alguns algo mais) de I Wanna Be Adored, que abriu e muito bem o concerto da banda de rock inglesa, que lançou em 1989 o primeiro álbum homónimo.

Talvez quem esperasse um Ian Brown de 20 anos se tenha sentido bastante desapontado pela voz oscilante (por vezes  algo desafinada) de Brown, agora perto dos 50. Os singles mais conhecidos foram quase todos tocados, num desfile que juntou Waterfall, Made Of Stone, Love Spreads, Shoot You Down, This Is The One, I am the Ressurection, com um grande coro de vozes a acompanhar e, o momento mais enternecedor dedicado às “beautiful ladies”, como nos chamou Brown: She Bangs The Drums.

Brown ainda desce mais junto do público e, no final, outro momento de amizade e união: o group hug de todos os membros da banda, parecendo felizes e satisfeitos. Deste lado ouve-se “We Love You” de um fã em plenos pulmões, mas quem quiser dizer que não gostou nada também há-de ter o seu direito.

Ainda houve tempo para saltitar entre o mar de gente que se amontoava junto do palco Heineken para ir ouvir os Buraka Som Sistema. Kalemba (Wegue Wegue), umas quantas asneirolas, Candonga, e ainda Wamba, mesmo no final do concerto, a servir para partir o esqueleto a dançar. E parece que 20 raparigas foram convidadas para o fazer no palco. “Grande concerto, grande concerto!” ouve-se. Não disse eu, mas bem que pensei. Já me tinham dito que os Buraka eram incríveis a dar show mas, finalmente, tive  a confirmação ainda que não tenham passado mais de 20/30 minutos até ao fim do concerto. Para uma próxima chego mais cedo, fica prometido!

Podia ter ficado por aqui, mas a curiosidade levou-me mais longe e ainda fiquei depois das duas da manhã a acompanhar ora Justice, que começaram a tocar no palco principal ora, pouco tempo depois, Zola Jesus, que estava no Heineken. Zola começou com menos público, é certo, mas conforme a hora foi avançando mais pessoal se juntou para ouvir a sonoridade da americana com descendência russa, que faz um mix de estilos que vão desde o rock experimental à electrónica.

Justice tocavam no palco com mais gente naquela altura. Iam levando uns a abanar a cabeça e o corpo, outros a cantar os poucos refrões que este tipo de música suporta. Civilization e Genesis fizeram parte do repertório, tal como D.A.N.C.E, que não podia faltar. Não fosse este um momento de dançar e dizer até amanhã. Hoje há mais Alive! e as expectativas são bem altas. Lá estaremos.

*Artigo escrito, por opção da autora,  com as normas do acordo ortográfico de 1945.

Fotografias Oficiais do Optimus Alive!12, de © Lino Silva (Facebook Oficial)