Último dia de festival conta com 26 mil espectadores, quase 50% mais que no primeiro dia. Público mais maduro e nostálgico que procurava a velha sonoridade de Peter Gabriel e, poucas horas depois, os novos renderam os velhos para assistir a Skrillex naquele que foi o concerto mais electrizante desta edição do Super Bock Super Rock.

Às 20h15 em ponto, Aloe Blacc: uma boina, um fato preto e uma camisa violeta; que cenário. Os restantes membros da banda, também vestidos a rigor, acompanharam o cantor num festival de soul, jazz e blues. «Y’all havin’ a good time?» faz com que o público responda com mais algo do que o movimento. «I wanna be with you» esteve nas gargantas do público durante uns bons quatro minutos, onde ninguém deixou de gingar ao ritmo do americano. You Make Me Smile e Loving You Is Killing Me serviram de aperitivo para o single mais esperado da noite. I Need A Dollar, surge sem surpresas e aí percebemos que não havia ninguém melhor para abrir Peter Gabriel. De fato no ombro despede-se do Meco; pouco depois, toda a banda segue o exemplo.

Aloe Blacc conveceu | Pedro A. Pina/Antena 3
Aloe Blacc conveceu | Pedro A. Pina/Antena 3

Bravo, maestro. A actuação de Peter Gabriel começa no seu melhor. Embora o palco de um festival de Verão não seja o mais adequado para um formato que atraiu um público mais graúdo e exigente, Peter Gabriel atingiu o tom. Acompanhado de uma orquestra de 50 músicos, o ex-Genesis entreteve a plateia durante quase duas horas, revisitando clássicos como Solsbury Hill e Heroes de David Bowie. Ainda houve tempo para Regina Spektor assaltar o palco, concentrar em si as atenções por uns minutos e colaborar com o artista de 62 anos em Après Moi. A produção assumiu-se mais exigente e afinada, demonstrando que Peter Gabriel é, sem dúvida, “O” nome do festival.

Marrow principia a presença de St. Vincent no palco secundário. Annie Clark surge destacada; com uma guitarra ao ombro, faz-nos querer colocá-la no dia de ontem, onde responderia com sucesso ao alinhamento mais feminino. Mas uma grande mulher tem sucesso em qualquer lugar, e o SBSR é só mais um deles. Cheerleader serve de catalisador para um espectáculo que prometia. Até pode ser que ninguém tenha saltado como em Oh Land, mas St. Vincent conseguiu-nos arrancar uma dança contínua e decerto que não podem dizer que não se tenham divertido. Year Of The Tiger permitiu uma desaceleração no alinhamento da americana, que depois terminou com Krokodil, chegando até a fazer crowdsurfing.

St. Vincent foi uma das boas surpresas | RADAR
St. Vincent foi uma das boas surpresas | RADAR

Dez minutos depois da hora, o palco principal acolhe os The Shins, a última banda a actuar perante este cenário em 2012. Foi a primeira vez dos americanos de Albuquerque em Portugal, mas a formação já não é a mesma e só James Mercer, vocalista e guitarrista, resistiu. O público estava desfalcado, e os The Shins até que conseguiram fazer mexer quem pelo Meco parou. Conseguiram ainda enganar uns quantos que ainda julgavam que Skrillex ia actuar no palco principal.

O cenário teve de ser alterado, mas o artista era o mesmo. Momentos antes da entrada em palco, uma coisa era inegável: o americano atraiu uma massa enorme ao SBSR deste ano. As luzes apagaram-se, e, qual cão de Pavlov qual quê, a multidão que impacientemente aguardava rompe num furor único neste festival. No ecrã, a contagem decrescente preparava o público e deixava-o ainda mais ansioso; Skrillex surge do nada, solta o beat e o Meco irrompe num orgasmo. Não sabemos a setlist, nem sequer conhecemos qualquer música do Skrillex, e, sinceramente, não é preciso. Qualquer reportagem com destaque para uma ou outra música seria contraproducente, já que o Meco saltou durante toda a hora e meia de concerto. O resumo até podia ser a factura detalhada de lábios abertos e narizes a sangrar, porque mosh como este só nos lembramos de Deftones no Alive!’10. Final idílico para um festival que não perdeu pó mas venceu no ambiente.

Skrillex fechou o palco EDP | Pedro A. Pina/Antena 3
Skrillex fechou o palco EDP | Pedro A. Pina/Antena 3

Artigo redigido ao abrigo do Acordo Ortográfico de 1945, por André Abreu, Diogo Machado Ferreira e Francisco Morgado Gomes