Abriu ontem a 20ª edição do Festival Internacional de Cinema de Vila do Conde, e o Espalha-Factos esteve presente e ainda teve tempo para um passeio pelo centro da cidade.

O início da tarde foi marcado pela abertura do Curtinhas, com um best of da secção infantil dos anos anteriores. Mais tarde, já às 17h, as duas salas do Teatro Municipal de Vila do Conde, a casa do festival, dão o definitivo arranque às retrospetivas e competições. Na sala 1, iniciamos a Odisseia Kubrick com o visionamento do filme de 1971 A Clockwork Orange (A Laranja Mecânica). Já na sala 2, decorria a competição de Curtinhas M9, com um conjunto de nove curtas-metragens direcionadas para o público infantil.

Não deixou de ser notório que, no global, este conjunto de curtas arriscou e esteve várias vezes a riscar a linha do politicamente correto, ou daquilo que seria mais esperado para este tipo de produção cinemática: protagonistas que morrem (esfuma-se o mito do final do feliz), um homem que ainda acredita na cegonha (mas que depois aprende de onde vêm realmente as crianças), os flamengos numa festa de inspiração queer (e sem medo de brincar com fetiches sexuais), um super-herói que é incrível (no entanto acaba por não salvar o mundo). Ainda assim também houve lugar para as suaves histórias das quatro irmãs que tentam divertir-se numa longa de viagem de carro com os pais, e de um cavalo profissional de corrida que tenta reencontrar a natureza.

Big Drive (Anita Lebeau) – 7,5/10

Pythagasaurus (Peter Peake) – 6/10

Captain Awesome: The Rumble in the Concrete Jungle (Ercan Bozodgan) – 8/10

Organopolis (Nieto) – 5/10

Kali, O Pequeno Vampiro (Regina Pessoa) – 7/10

Rising Hope (Milen Vitanov) – 9/10

Flamingo Pride (Tomer Eshed) – 9/10

The Man Who Still Believed in the Stork (Ralf Kukula) – 6,5/10

Junk (Kirk Hendry) – 5,5/10

A terminar a tarde, na sala 2, foi exibido um documentário com uma retrospetiva dos 20 Anos do Curtas de Vila do Conde. À noite, a sala 1 acolheu The Invader, filme belga de 2011, e ainda Room 237, na continuidade da Odisseia Kubrick, um documentário sobre as diversas interpretações que se podem fazer do filme Shining. Entretanto, na sala 2, passava o filme Noise, do cineasta francês Olivier Assayas.

Mas não é só no Teatro Municipal que decorre o Festival de Curtas. Num passeio pelo belíssimo centro histórico desta cidade, podemos ainda visitar o Solar, Galeria de Arte Cinemática, bem como o Centro de Memória, ambos locais da exposição 2012 Odisseia Kubrick.

O Festival de Curtas decorre até ao próximo dia 15 de julho, sendo a desculpa ideal para passar um dia inteiro a ver bom cinema e a passear por uma encantadora cidade do norte do país.