Se o festival tinha começado com o pé direito, estava na hora de ter os dois bem assentes no chão, para ver ao vivo CMS trio com Chicuelo, e um dos melhores violinistas da atualidade, Jean Luc Ponty, que deram uma lição brilhante de como fazer música.

O concerto começou às 21:30, com uma pontualidade que é de louvar, com a apresentação da banda espanhola Colina Miralta Sambeat, que se fizeram acompanhar por Chicuelo na guitarra, e que em algumas músicas teve o acompanhamento vocal do catalão Salau. Sobre holofotes roxos e azuis, a banda em grande parte foi acompanhada pelos sons emitidos pelos saxofones e pela flauta transversal de Sambeat, mas o contrabaixista Colina também teve os seus momentos como solista bem como o percussionista Miralta, que foi um dos mais aplaudidos, pelos seus solos frenéticos, que deixaram o público entusiasmado.

Com um portunhol arranhado, Sambeat lá foi apresentando ao longo do concerto, as faixas que estavam a tocar, não deixando de agradecer o facto de estar num dos festivais mais importantes do género, que em 13 edições já trouxe artistas tão importantes como Cassandra Wilson, Arturo Sandoval ou Ivan Lins, muitos outros nomes de renome mundial.

A fusão de jazz com os ritmos latinos, a banda que usa o flamengo e outros sons do mundo para conseguir uma estética única pôde sair do Funchal com a missão comprida perante um concerto que mereceu rasgados elogios da audiência.

Se no dia anterior havia ainda várias cadeiras onde se podiam sentar, ontem foi um dia em que só por sorte (ou chegando mal abrissem as portas) é que se podia encontrar uma cadeira para se sentar. O Parque Santa Catarina, que teve uma noite fresca de verão, encheu para assistir tanto a banda da Catalunha como o Jean Luc Ponty, que se fez acompanhar pela sua banda.

Com o devido respeito pela banda dos nuestros hermanos, que se ganharam o campeonato europeu, nesta noite o título de campeão foi para Jean Luc Ponty com a sua banda. O virtuosismo empregue nos seus violinos, bem como os elementos que o acompanharam no piano, baixo e bateria, durante uma atuação que levou todos os presentes no recinto ao delírio.

Na sua primeira, e provavelmente única, atuação na ilha da Madeira, o artista francês conseguiu ter no seu alinhamento músicas tanto do seu ínicio de carreira como músicas mais recentes, sendo de referir que este senhor já anda nisto há mais de 40 anos. Num virtuosismo único e brilhante, o artista conseguiu conquistar quem não o conhecia pegando no seu violino elétrico com solos que foram respondidos com enormes aplausos. Ainda assim havia espaço para os seus acompanhantes brilharem, com o público a entrar em euforia tanto com o baixista Guy Nsangue como com o baterista Damien Schmitt, que teve 5 minutos sozinho no palco a encantar todos os presentes. Sem desdém para William Leconte, que no piano e teclados teve também uma atuação brilhante. O entretenimento proporcionado por estes senhores recebeu uma excelente reação do público, podendo mesmo dizer que foi o melhor concerto em dois dias de festival.

O certame termina hoje com a atuação de Manuel Beleza Jazz Terceto e o pianista norte-americano Kenny Garrett.

Fotografias disponibilizadas na página do Facebook oficial do evento.