O Funchal Jazz Festival começou no dia 5 com a atuação de Michel Camilo, contudo esta 13.ª edição contou com a homenagem a um dos maiores músicos madeirenses, Sérgio Borges, elemento do Conjunto Académico João Paulo que faleceu no final do ano passado.

O evento tem tido muito sucesso em cada edição, sendo um veículo de promoção do turismo madeirense, o que explica a presença de muitos turistas no Parque Santa Catarina, no centro da capital da Pérola do Atlântico. Nesta 13.ª edição – que se espera ser de sorte – a organização espera cerca de 2000 pessoas ao recinto, menos do que o recorde atingido ao ano passado com cerca de 9000 pessoas em três dias de festival.

A homenagem a Sérgio Borges foi levada a cabo pela Câmara Municipal do Funchal, representada pelo seu presidente, Miguel Albuquerque, foi o início propriamente dito do festival, numa celebração curta mas sentida, à carreira de um ícone da música madeirense e nacional, que causou furor em Portugal e no estrangeiro nos anos 60, numa carreira tanto a solo como com o Conjunto João Paulo, aquela que foi a primeira banda portuguesa com um grupo oficial de fãs.

Pouco depois, vindo da República Dominicana, Michel Camilo trouxe no seu piano os ritmos caribenhos brilhantes que o definem como um dos melhores pianistas da atualidade. O virtuosismo que apresentou em cada música deixou o público eufórico, sendo que sempre que houve oportunidade, aplaudiu-o. Com os ecrãs gigantes expostos, havia ainda a captação das imagens dele a tocar, que serão decerto motivo de inveja de qualquer pianista (algo que André Sardet, director artístico do evento, tinha referido antes do concerto, na rádio oficial do evento).

Mas as palmas não eram só para ele, eram também para quem o acompanhava, o Mano a Mano Trio, composto pelo contrabaixista americano Lincoln Goines e pelo porto riquenho Giovanni Hidalgo, que mereceu também grandes ovações pelo frenesim e diabolismo que empregava no percussão. Entre este trio foi notória a alegria empregada na música, chegando mesmo a dialogar entre si enquanto cantavam e dando uma ajuda a Hidalgo na percussão.

Num alinhamento que oscilou entre os frenéticos The Sidewinder e Yes, e temas mais suaves Rice and Beans e Naima, foi um percorrer pelo álbum Mano a Mano, que é o tema central da tour que o músico começou no último ano. A passagem pelo Funchal deixou o público conquistado para um segundo dia de festival que contará com a presença da banda Colina Miralta Trio, com Chicuelo e o que é considerado o melhor violinista europeu de jazz, Jean Luc Ponty.