O warm-up do SBSR começou com francamente mais gente no acampamento do que na tenda electrónica. Mas nem por isso se deixou de aproveitar a primeira noite no Meco. Dubdout, no único palco aberto no dia de pré-festival, apostou no dubstep e vingou. Serviu de energizer e ninguém deixou de dançar ao ritmo dos beats e contra-beats do irlandês.

Apenas com Rui Pité, sob o nome de DJ Riot, é que o espaço da plateia conseguiu ficar preenchido. Munido de uma apresentação protocolar, o também membro dos Buraka Som Sistema abre com a veemência de um heavy-beat com sampling vocal; profundo e célere. Com direito a MC, dos Macacos do Chinês, evocou uma ovação quando deu um toque de dubstep a The Prodigy. Dick Dale não faltou à festa, nem ele nem os seus Deltones, e, claro, os Black Eyed Peas nas vozes de alguns elementos do público. Com alguns sons comerciais, conseguiu pôr o público muito mais à vontade.

Com uma narração a fazer lembrar Pendulum, eis que entra Delta Heavy, a invocar uma nostalgia espampanante dos anos 80. Nos samplings puxou de brasileirada, puxou do house, puxou do reggae, tudo isto enquanto lançava ainda um dubstep bem ao estilo de Doctor P. A noite esmorecia quando o DJ se apercebeu do cansaço do público; não esteve para menos e lançou Warp – Bloody Beetroots e Steve Aoki -, de forma inesperada. Os corpos cansados recomeçam o movimento frenético e uma certeza se teve: a noite não estava para acabar. Pouco depois eram os Die Antwoord em cena. Juntando todos estes ingredientes, Delta Heavy chegou, viu e conquistou.

O público ia cedendo ao compasso do relógio, mas a música continuava em alta. Pelas duas da manhã era a vez de Netsky; fazendo uma comparação imediata com os anteriores artistas, percebemos que a conclusão da noite estaria a cargo do belga. Ainda que com um tempo menos violento, incutiu pelo drum and bass, acabando por se revelar mais calmo do que o esperado.

Em comparação com o sucesso da anterior edição, a pouca afluência é um factor bastante destacado, o que denota bem a força que um cartaz tem sobre os festivaleiros. Por um lado, não há trânsito, o que elimina o congestionamento de acessos, mas, por outro, a tão prometida relva revelou-se uma desilusão. Esta apenas cresce nos primeiros 10 metros do palco principal, enquanto que o resto do recinto e acampamento assemelham-se a um autêntico faroeste. Parece que o lenço na boca continuará a ser tradição vigente, só esperamos que hoje se prove que não foram apenas as praias solarengas a fazer valer a pena vir um dia antes.

Artigo redigido ao abrigo do Acordo Ortográfico de 1945, por André Abreu e Francisco Morgado Gomes