Foi esta terça-feira, dia 3 de julho, no Foyer do Cinema S. Jorge, que a direção do DocLisboa apresentou as novidades para a sua 10ª edição na sua primeira conferência de imprensa. O DocLisboa 2012, Festival Internacional de Cinema dedicado ao documentário vai realizar-se de 18 a 28 de outubro com novas secções e retrospetivas.

Com uma imagem renovada e novas secções na programação, o DocLisboa 2012 promete manter-se fiel à sua estrutura e rigor, mas também pretende estar atento às mudanças políticas e culturais, que influenciam a construção do documentário no mundo.

Uma das primeiras novidades referidas na conferência foi o seu novo logótipo criado pelo artista e responsável pela identidade gráfica do festival, Pedro Nora. A simplicidade e o poder da inscrição está na base desta nova imagem, que abre alas a várias interpretações e ideias a quem a visualiza.

Destaque para as duas novas secções que vão integrar a área não competitiva da programação do festival: Cinema de Urgência Verdes Anos. No Cinema de Urgência serão selecionados os documentários que testemunham os acontecimentos originados neste panorama atual de crise. Esta secção tem como propósito apresentar o cinema como uma ação direta e um ato de cidadania. Perante a impossibilidade dos media em cobrir todos os momentos relevantes da História, o Cinema de Urgência dá lugar à expressão do cidadão, que com uma câmara ao ombro capta revoluções e conquistas, como a Primavera Árabe ou as ações populares no mundo.

Os Verdes Anos, por sua vez, apresenta o trabalho de jovens cineastas e dá voz às escolas de cinema, que podem exibir as suas obras cinematográficas e refletir sobre o documentário em debates promovidos no DocLisboa. A iniciativa de abarcar esta secção no festival vem no seguimento da aposta que o DocLisboa tem feito nos últimos anos à formação de novos criadores, com essa ideia em mente surgiu a necessidade de criar este novo espaço, para além do Doc 4 Kids e dos workshops para grupos escolares.

No âmbito das Retrospectivas, o DocLisboa 2012, em parceria com a Cinemateca Portuguesa, vai exibir a obra integral de Chantal Akerman. A realizadora belga questiona o documentário enquanto género cinematográfico, a sua relação com outras formas de arte e os limites que balizam a sua prática. O documentário é assim analisado na sua problemática histórica e na reflexão do seu processo criativo.

United we stand, divided we fall vai ser a segunda retrospetiva apresentada na 10ª edição do festival. Comissariada por Federico Rossin, curador, crítico de cinema independente e co-diretor artístico do NordoDoc Fest de Trieste, no qual já divulgou algumas obras de cineastas portugueses, a retrospetiva abrange filmes de coletivos radicais entre os anos 60 e 80. A autoria individual é substituida pela realização em prol do trabalho coletivo.

Face às adversidades que o país enfrenta e ao fraco financiamento na área da cultura, a APORDOC – Associação pelo Documentário procura que o cinema português seja transversal a várias secções e incentiva a sua internacionalização. Um dos exemplos de sucesso da edição anterior foi o filme do jovem realizador Gonçalo Tocha, É na Terra Não é na Lua, que recebeu vários prémios a nível internacional, sendo exibido em diversos festivais de cinema, desde o Documenta Madrid até à Argentina.

A primeira conferência contou com a participação da direção do DocLisboa, constituída por Ana Jordão, Cinta Pelejà, Cíntia Gil e Susana de Sousa Dias. Mais novidades sobre a programação serão apresentadas na próxima conferência de imprensa, que terá lugar em Setembro, um mês antes do início do festival.