Nos próximos dias 28, 29 e 30 de junho, no Centro Cultural de Carnide, é levada a cena a peça Um Pedido de Casamento, de Anton Tchekhov. O Espalha-Factos falou com o encenador, Ricardo Figueira.

Um Pedido de Casamento, escrito por Anton Tchekhov entre 1888 e 1889, relata a tentativa de um pedido de casamento tomada a cargo por Ivan Vassiliyitch, um homem hipocondríaco de 35 anos que se vê numa idade crítica para desposar Natalia Stepanovna, sua vizinha e filha do septuagenário Stepan Stepanovitch.

Ivan Vassiliyitch tenta, então, pedir a mão da filha de Stepan em casamento, para grande felicidade deste. É com grande efusividade que Natalia é chamada à presença de Ivan, sem que, no entanto, saiba a razão da visita do seu vizinho.

Contudo, nem tudo é simples. Quando Ivan tenta justificar o motivo da sua presença, surge um mal-entendido: ao fazer o seu discurso introdutório, Ivan Vassiliyitch afirma pertencerem-lhe os Prados de Valloviy, ao que Natalia contrapõe, defendendo que estes são propriedade sua e de seu pai, Stepan.

Este desentendimento é o mote para a descolagem de toda a peça. Por meio de gritos e irónicas acusações, vai sendo discutida a pertença dos prados. As personagens põem em jogo a sua própria integridade moral, agredindo-se mutuamente através de acusações insignificantes.

Tchekhov, o autor desta peça, quis apontar as críticas para o facto de o casamento ser, muitas vezes, motivo para equilibrar “o bom nome” com o factor da riqueza económica. Um Pedido de Casamento é, portanto, uma sátira ao “falso sacramento” que é o casamento aos olhos das classes privilegiadas da sociedade russa do século XIX.

A encenação, dirigida por Ricardo Figueira, conta com a presença de quatro atores amadores que colaboraram noutros projetos anteriores com o encenador na Companhia de Teatro Amador ActIn (COTAA). Com pouco mais de um ano de existência, conta já duas peças no seu currículo: Crimes Exemplares e A Birra do Morto.

O Espalha Factos falou com o encenador desta peça, Ricardo Figueira:

Qual a razão da escolha da encenação de Um Pedido de Casamento? O que suscitou interesse na ação?

Primeiro de tudo, as obras de Anton Tchekhov são riquíssimas. Um Pedido de Casamento é uma das comédias mais alucinantes que ele escreveu: o seu ritmo, a maneira como a ação está estruturada e as personagens são um “brinde” para os atores. O que mais suscitou interesse nesta obra foram as discussões que as três personagens têm e o seu motivo delirante.

Dentro das peculiaridades da escrita podemos destacar a ridicularização do que se considera normal, daquele senso comum que rege a vida corriqueira; o cortar de cada palavra supérflua, de cada frase escassa, para atingir um alto grau de condensação; e o mergulhar na vida quotidiana, cheia de pequenos factos para captar através deles o essencial e o eterno da existência humana.

Quais as particularidades que mais gosta nas personagens em Um Pedido de Casamento?

Uma das particularidades que mais me suscitou interesse foi o facto de esta ser uma comédia que se insere num contexto rural, mas sem, por isso, deixar de ser uma comédia muito atual, comportando personagens muito peculiares e com um certo grau de nervosismo patente que acaba por resultar em condutas consideradas, por vezes, ridículas.

Qual pensa ser a relevância da existência de grupos de teatro amador como a Companhia de Teatro Amador ActIn?

Grupos como o nosso têm uma grande importância na vida dos atores. O teatro é um trabalho de grupo e de união, o que nos torna melhores seres humanos, mais cultos, mais interessados, mais atentos e faz com que olhemos o mundo que nos rodeia por outra perspetiva.
Tem um peso enorme na busca do nosso “Eu” e faz-nos questionar sobre quem somos.

Um Pedido de Casamento estará em cena nos próximos dias 28, 29 e 30 de Junho, no Centro Cultural de Carnide, às 21h30.
O preço dos bilhetes é 6€. Reservas: 936140727 | email: [email protected]
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