No dia 22 de junho o Parque Santa Catarina, no Funchal, acolheu a segunda edição do festival Sons do Mar TMN, um evento eclético que contou com os concertos de Slimmy, Carminho e Buraka Som Sistema.

Com os portões abertos às 18 horas, o público foi entrando gradualmente para ver Slimmy, que pouco mais de meia hora depois fazia o regresso aos palcos – algo que o próprio admitiu – e por várias vezes pediu colaboração com o público, até porque «era importante para ele». Os pouco mais 50 espectadores ainda presentes preferiram ficar sentados na relva, até porque o calor era tanto que se procurava mais a sombra do que um escaldão. O seu alinhamento fez uma retrospetiva pela carreira, incluindo temas como Beatsound Boy, ou Show Girl e, ainda, a música que fez parte de CSI Miami, Bloodshot Star.

O calor era tanto que Slimmy e a banda tiveram mesmo de tocar sem t-shirt, tendo lançado o desafio ao público para ir para o palco, mas os presentes continuariam a preferir a sombra do que a oportunidade de cantar para cerca de 100 pessoas. A terminar, apresentaram o novo single Freestyle Hard, avanço para o álbum que será lançado em setembro.

Por volta das 19h40, hora a que terminou o concerto, começou a ser transmitido um encontro de futebol no ecrã que estava no palco, o que levou a que o festival só fosse retomado no final do jogo. Terá sido um dos inconvenientes para o público, que não tinha uma área de restauração no parque, e que não podia sair do recinto, porque depois já não podia entrar.

Com o recinto já bem composto, a roçar os três mil espectadores (número próximo de pessoas que assistiram ao evento), Carminho apareceu no palco com toda a Alma que lhe é reconhecida. Durante uma hora e meia, a fadista cantou e encantou e, pelo meio,  agradeceu a oportunidade de estar num concerto que é tão falado no continente. O público, apesar de maioritariamente jovem (tinham vindo sobretudo para ouvir Buraka Som Sistema) teve o prazer de sentir a saudade e o cheiro que Alfama e Mouraria têm através de uma voz única e a pulmões cheios, como Carminho tem.

Após o fim do concerto e antes de começar o show dos Buraka Som Sistema a organização entregou, num gesto de louvar, um cheque no valor de 3000 euros à Associação Abrigo Infantil da Nossa Senhora da Conceição. Por cada bilhete vendido, um euro reverteu para esta instituição, demonstrando que o festival tinha também um cariz social.

A atração da noite apareceu pouco depois, já com todo o público de pé e chegado o mais para frente possível: Buraka Som Sistema trouxeram Komba, álbum lançado em 2011, que conta com alguns hits diabólicos que fizeram o público dançar kuduro cerca de uma hora e meia. Wegue Wegue, BaBaBa ou We Stay Up All Night fizeram parte de um repertório que levou ao delírio a juventude ali presente.

De destacar dois momentos do concerto da banda. O primeiro de lamentar, com o público, já perto do final, a arremessar para o palco almofadas que um dos patrocinadores do evento tinha dado, com a banda a solicitar para que deixassem de o fazer. Afinal de contas, estavam a acertar em cheio nos cantores e instrumentos. O segundo momento, antes do encore, foi a subida ao palco de cerca de 40 raparigas para mexerem o esqueleto num momento de perfeita simbiose entre a banda e o público.

O ecletismo esteve bem patente no festival, com rock, fado e kuduro. Foi, apesar de alguns inconvenientes, um bom resultado, de um festival que ainda está a dar os primeiros passos, mas com capacidades de surpreender em edições futuras.