O Optimus Primavera Sound já terminou, depois da atuação de nomes como Wavves, Kings of Convenience e The xx. Ontem o Parque da Cidade já não foi  palco dos concertos, dando lugar à Casa da Música e ao Hard Club. O Espalha-Factos conta como foi o fim-de-semana no Primavera.

Sábado dia 9

Mujeres

Os barcelonenses Mujeres abriram o terceiro dia, ao mesmo tempo que os portugueses Gala Drop. Contudo, Mujeres beneficiou com a sua atuação na tenda Club, onde os espectadores poderiam estar abrigados da chuva. E se muitos quiseram abrigar-se da chuva e ver Mujeres entretanto, os visitantes  espanhóis fizeram questão de encher as filas da frente e cantar as músicas da banda de forma entusiástica.

Spiritualized

Os Spiritualized tiveram direito a uma plateia coberta por gabardines de plástico e guarda-chuvas. À hora do concerto, 19h30, a chuva que se fazia sentir já tinha transformado o recinto num lamaçal mas nem isso demoveu os fãs. A Jason Pierce juntou-se uma banda e um coro de duas cantoras gospel, num concerto onde não faltou o tema mais adequado às condições climatéricas: Lord, Let It Rain On Me.

Siskiyou

Depois de andarem a distribuir posters a quem estava na quilométrica fila para conseguir bilhetes para os concertos do dia seguinte na Casa da Música, os Siskiyou abriram o palco ATP apresentando o segundo álbum Keep Away The Death . Apesar da chuva fraca, mas que caía intensamente, a moldura humana à frente do palco era considerável. As canções folk da banda de Colin Huebert (ex-membro dos Great Lake Swimmers) aqueceram a multidão que ali se reuniu. Quem lá esteve, com certeza, investigará mais sobre esta banda de Vancouver.

I Break Horses 

Quando a dupla sueca I Break Horses subiu ao palco ATP, a chuva já tinha parado. Mesmo assim o cinzento carregado do céu ajustou-se perfeitamente às melodias gélidas e cortantes do álbum de estreia Hearts. Os I Break Horses, também beneficiaram do cancelamento de Death Cab For Cutie e do «desaparecimento» de James Ferraro, que levaram muitos curiosos para a frente do palco ATP. O alinhamento composto por apenas cinco canções, foi afectado por alguns problemas técnicos no sintetizador da vocalista, Maria Lindén.

Wavves

Após a chuva acalmar, foi a vez de agitar a tenda Club, onde actuaram os Wavves. Num concerto que já se esperava enérgico, após as passagens por Portugal em 2009 e 2010, o projecto liderado por Nathan Williams veio apresentar King of the Beach. O single Post Acid leva o público à loucura, fazendo com que Nathan elogie a segurança, que atua prontamente perante os crowdsurfers que pareciam não ter fim.

The xx

Num festival em que cada um decide quem são os cabeças de cartaz, os The xx eram sem dúvida cabeças de cartaz para muitos. Mesmo uma hora antes do concerto, já uma multidão os esperava. Nesta terceira visita a Portugal, tocaram não só as músicas do seu primeiro disco mas também algumas músicas novas que deverão integrar o novo álbum, Coexist, a ser lançado em setembro. O cenário era minimalista,  com um grande X no meio do placo, contrastando com o baixo máximo de Oliver Sim, que não deixava ninguém indiferente. A harmonia e química em palco entre Romy e Oliver é notória e seduz-nos sem qualquer esforço. Os músicos agradecem ao público português o entusiasmo, elogiando a afinação com que acompanham as músicas, naquele que foi um concerto emocionante.

Domingo dia 10

Best Youth

A sala 2 da Casa da Música recebeu os portugueses Best Youth, o duo formado por Ed Gonçalves e Catarina Salinas. Perante um público que assistia sentado ao concerto, a banda pediu que se levantassem e dançassem, pedido acedido mas que não fui suficiente para imprimir um outro ritmo ao concerto. E se as suas músicas são melodiosas e melancólicas, isso torna-as também repetitivas. Destaque para Nuno Sarafa na bateria, sem dúvida, uma mais valia para o duo.

Olivia Tremol Control

O início enérgico dos Olivia Tremor Control para uma sala Suggia sentada e às escuras fazia concluir que aquele não teria sido o palco indicado para a banda americana, da geração dos Neutral Milk Hotel e de onde Jeff Mangum, que tocaria a seguir, já tinha feito parte. Não foi preciso, no entanto, muito tempo para compreender que toda aquela energia não seria uma constante, e o concerto deste sexteto acabou por ser relativamente calmo, não deixando de lado o experimentalismo multi-instrumental que caracteriza a sonoridade da banda. Uma atuação de verdadeira abertura, com direito a participação de Jeff Mangum numa das canções, de onde os Olivia Tremor Control saíram visivelmente felizes, a concluir um dos concertos onde mais facilmente se viu o prazer dos músicos a atuar.

Jeff Mangum

E se o hábito na sala Suggia é ver os concertos sentado, Jeff Mangum desafia as regras e pede aos fãs que se cheguem mais perto. O fosso entre as cadeiras e o palco fica assim ocupado para um concerto que consegue ser intimista mesmo com sala praticamente cheia. Desde os Neutral Milk Hotel que as aparições de Jeff têm sido raras, invertendo essa tendência nos últimos tempos. Jeff fala do assunto de forma esquiva e prossegue o concerto, para deleite dos fãs. As músicas dos Neutral Milk Hotel são presença obrigatória  e o concerto termina com Two-Headed Boy, música com a qual o cantor assume identificar-se nesta fase da sua vida.

Kindness

É já um cliché demasiado gasto, e talvez seja injusto dizer que o melhor do Optimus Primavera Sound ficou para o fim, mas o concerto de Kindness foi, sem dúvida, um dos momentos altos do festival. A beneficiar de um local mais propício à qualidade sonora como é o Hard Club, o projecto do londrino Adam Bainbridge foi um estranho entretenimento para uma noite de Domingo que soou a sábado à noite algures perdida na década de 70. As canções do álbum de estreia ganharam estupidamente mais com uma banda de excelência, de onde sobressaem as duas raparigas do coro, mas também a energia de Adam, que ora dança pelo imenso espaço que lhe deixaram no meio do palco, ora se equilibra quase entre o palco e as grades posando para os fotógrafos, tornou este concerto, que teve direito a encore mesmo depois de o baterista quase ter destruído o equipamento, num dos grandes acontecimentos desta edição do Primavera no Porto.

*Artigo escrito com Pedro Zambujo e André Florêncio

Fotografias: Site Oficial