A autora de vários painéis de azulejos das primeiras estações do metropolitano de Lisboa morreu este domingo, na capital portuguesa, aos 97 anos de idade. Aníbal Cavaco Silva recordou Maria Keil como uma “figura ímpar” do século XX.

De acordo com o Público, Maria Keil definia-se como uma “mulher de várias artes“. Afirmava-se como “uma artista“, já que trabalhou como pintora, desenhadora, ilustradora, decoradora de interiores, designer gráfica e de mobiliário, ceramista, cenógrafa, figurinista, autora de cartões para tapeçarias “e, sobretudo, de composições azulejares“.

Foi a partir da década de 1950 e ao longo da seguinte que Keil se dedicou especialmente ao azulejo, tendo realizado gratuitamente a decoração azulejar de todas as estações do metropolitano de Lisboa, inaugurado no final de 1959. Em declarações à Lusa, contou que o marido Francisco Keil do Amaralchegou a casa preocupado com a falta de dinheiro para acabar o projeto” e então propôs o azulejo. “É uma arte barata, mas vistosa, e muito adequada aos espaços públicos. Por ordem do Oliveira Salazar, os azulejos não podiam ser figurativos, daí ter optado pelo abstrato“.

Aníbal Cavaco Silva, Presidente da República, recordou hoje a artista como uma “figura ímpar do nosso século XX, produziu uma obra artística de extraordinária criatividade“, considerando que a sua morte deixa a cultura e arte portuguesas mais pobres.

Segundo informações disponibilizadas no Diário de Notícias, a renovação da estação do metropolitano de S. Sebastião da Pedreira, em Lisboa, foi um dos últimos trabalhos de Maria Keil. Em 2008, foi homenageada na livraria Biblos durante a apresentação do livro A Árvore que dava Olhos, de João Paulo Cotrim, livro que conta ilustrações da artista plástica.

O funeral de Maria Keil realiza-se hoje no Cemitério da Apelação, no concelho de Loures.