A terceira edição do Festival Mêda + decorre nos dias 26, 27 e 28 de julho, na Mêda, Guarda. Mão Morta e X-Wife são os cabeças de cartaz do festival de verão, a realizar no espaço da Santa Cruz, que terá mais um dia de concertos no recinto do que nas edições anteriores.

The Doups, Fitacola, The Glockenwise, O Bisonte, Matilha, Mulherhomem e A Cepa Torta completam o cartaz do III Mêda +. Há DJ‘s para prolongar as noites no recinto; para o dia 28, sábado, é prometido um nome «sonante». «O objetivo principal é conseguir oferecer um cartaz de qualidade sem devaneios orçamentais», esclarece o presidente da Associação Juvenil Mêda +, André Rebelo Pereira.

«As expectativas são altas» para a edição deste ano, revela o presidente. Espera-se sobretudo mais assistência do que em 2011, quando estiveram presentes no Festival Mêda + «cerca de 3500 pessoas». “A pouco e pouco vamos conseguindo ganhar o nosso espaço”, acrescenta.

A entrada no recinto é gratuita, bem como a estadia no Parque de Campismo, e o acesso às Piscinas Municipais tem um custo reduzido, de um euro por dia, para os “festivaleiros” que as quiserem frequentar ao longo do fim de semana.

A valorização da “música em português”

«Seis das nove bandas do cartaz do Festival Mêda + produzem sonoridades integralmente na língua de Camões, o que prova as nossas crenças na música puramente portuguesa», afirma André Pereira. O Mêda + é, ainda nas palavras do presidente, “um óptimo palco para bons projectos nacionais. Nós crescemos com os artistas e os artistas crescem connosco”.

Neste sentido, a parceria com o Movimento Alternativo Rock (MAR), nascida na edição de 2011 com a presença dos Nervo e dos Alma Fábrica no cartaz, foi este ano renovada. Matilha e Mulherhomem são as bandas do MAR que atuam este verão na Mêda, projectos «muito fiéis às origens, que apenas falam, compõem, tocam e editam em português», nas palavras de André Pereira.

O destaque vai ainda para uma banda “composta exclusivamente por residentes na Mêda”, A Cepa Torta, que está a preparar o lançamento do primeiro álbum com seis originais na língua portuguesa. «O preconceito em relação à música cantada em português parece começar a ser destruído, a pouco e pouco», sustenta André Pereira.

 

O interior ‘também é gente’

 O Mêda + não é o único festival de verão no centro do país, mas é um dos poucos. «Entristece-me bastante que estes festivais tenham uma dimensão muito reduzida e, muitas vezes, não sejam financeiramente sustentáveis”, confessa o presidente. Assim, os jovens que vivem no interior “têm, quase sempre, de se deslocar às grandes cidades para verem os seus artistas preferidos».

Contudo, «as ‘coisas’ não acontecem só em Lisboa ou no Porto” e “no interior do país há energia e visão suficientes para organizar» eventos de «grande calibre», refere. Foi isto que moveu um grupo de jovens, há três anos, a propor à Junta de Freguesia «a ideia de criar uma associação juvenil e lançar um festival de música», recorda o Presidente da Junta, António César Figueiredo.

«O apoio financeiro da Junta é um investimento com retorno, pela dinâmica que este festival tem trazido ao concelho», afirma o Presidente da Junta. Nesta terceira edição, faz uma “avaliação positiva» do evento, pois «os objetivos de elevar o nome ‘Mêda’ e dinamizar o tecido económico do concelho estão a ser concretizados».

O Festival Mêda + está empenhado em «crescer cada vez mais e tornar-se uma referência a nível nacional», refere André Pereira. Para António César Figueiredo, «ver jovens da terra a assumir a linha da frente nesta estratégia de desenvolvimento é um motivo de orgulho».