O festival Optimus Primavera Sound, que começou dia 7 no Parque da Cidade já recebeu nomes como M83, Yann Tiersen, Linda Martini, Beach House, The Drums, Rufus Wainright, entre muitos outros. O Espalha-Factos está por lá e conta como têm sido os dias na Invicta. *

Quinta-Feira dia 7

Bigott

No regresso a Portugal, Bigott veio apresentar o seu mais recente trabalho, The Original Soundtrack. O concerto começou bem, de forma animada, mas que não foi suficiente para manter a atenção da parte do público, que já mostrava depois pouca receptividade às melodias folk frequentemente repetitivas.

Atlas Sound

Bradford Cox, vocalista dos Deerhunter, traz de volta o seu projeto pessoal Atlas Sound e oferece-nos Parallax, o seu mais recente trabalho, num concerto que foi bom, mas poderia ter beneficiado de uma maior ligação entre o público e o artista, que se mostrava muitas vezes desligado.

The Drums

Este é o regresso da banda a Portugal, após a sua passagem por cá em 2010. Trazem consigo músicas do novo álbum, às quais o público mostrou receptividade, mas também canções como Let’s Go Surfing, que puseram o público a cantar. Apesar do concerto energético, nota-se o cansaço da banda após cerca de três anos em digressão.

The Rapture

O primeiro dia do Optimus Primavera Sound guardava o melhor para o fim. Às duas da manhã, o cansaço do público era algum mas o da banda não – tocaram praticamente sem interrupções, não só pela sua energia própria mas também devido à limitação de tempo que lhes era imposta. Começando o concerto com In the Grace of Your Love, a apoteose do concerto deu-se com How Deep Is Your Love?, a música escolhida para o spot televisivo do festival.

Sexta-Feira 8 Junho

Linda Martini

A abrir as hostilidades no segundo dia, os portugueses Linda Martini, após  passagem pelo San Miguel Primavera Sound. Às 17 horas, já um público numeroso aguardava expectante pela banda, que não desiludiu. As letras de Amor Combate, Juventude Sónica e Belarmino eram sabidas de cor pelos fãs. Um ótimo concerto, que terminou com Hélio Morais a aventurar-se no crowdsurfing entre o público.

Other Lives

Na sua primeira passagem por Portugal, e com o álbum de 2011 Tamer Animals no bolso, os Other Lives mostraram que não são de todo estranhos para o público nacional. Uma audiência composta no Palco 4 saudou os americanos, num concerto dominado pelos temas novos, que justificam o convite para fazer digressão com artistas como Portugal, The Man, Bon Iver e Radiohead. Canções como For 12 e Tamer Animals estavam bem ensaiadas pelo público, que deu um dos maiores aplausos à banda de rock-folk de Oklahoma.

Tennis

Na primeira visita do Espalha Factos ao palco da All Tomorrow’s Parties, os Tennis deram um concerto radioso, a condizer com o tempo que se fazia sentir no Parque da Cidade. A banda de Denver não inventou muito, aproximando-se muito do som de estúdio das canções de Cape Dory e Young & Old, este último lançado já este ano, ainda que a voz da vocalista Alaine Moore pareça ainda mais doce ao vivo. Um concerto que não podia ter calhado em altura melhor.

Chairlift

Uma das grandes revelações do ano, apesar do primeiro EP já ter sido lançado há 5 anos, os Chairlift foram recebidos quase em apoteose pelo imenso público presente no palco 4. Ainda que o som, à semelhança da maioria dos concertos, não estivesse nas melhores condições, a electrónica dos nova-iorquinos não deixou de pôr toda a gente a dançar, incluindo a própria vocalista que, em coreografias um tanto ou quanto bizarras, foi um símbolo da sensualidade da noite – ainda que mostrasse, quase orgulhosamente, a falta de depilação nas axilas. Bruises, canção usada para um anúncio da Apple, e Amanaemonesia foram os momentos altos de um dos melhores concertos do dia.

Black Lips

Os norte-americanos consagrados no punk-rock já tinham à sua espera uma legião de fãs que queriam vê-los o mais perto possível. Os seus concertos são conhecidos pela força e energia e desta vez não foi exceção. Ao início a banda brinda-nos com cerveja, dando o mote para o que se passou a seguir. Várias pessoas transportadas em ombros, trocas de papel higiénico entre o público e a banda, os fãs a invadirem o palco e o vocalista em crowdsurfing após ter experimentado cantar dentro de um caixote do lixo.

Neon Indian

Menos de um ano depois de um concerto pouco celebrado na Zambujeira do Mar, Alan Palomo, o rapaz por trás dos Neon Indian, deu o último concerto da tour no regresso a Portugal, para um público provavelmente mais adequado à sua sonoridade do que o do Sudoeste. Ainda assim, as coisas não correram especialmente bem, com alguns problemas técnicos com os projectores e o pior som da noite, assim como um alinhamento com demasiados altos e baixos, que não conseguiu captar a atenção de toda a gente. Por esta altura já todos marcavam lugar para o concerto seguinte, de Beach House, mas Palomo ainda arrancou algumas reações na parte final do alinhamento, com canções como Polish Girl e Deadbeat Summer.

Beach House

Um dos nomes mais aguardados de todo o festival, os Beach House deram um concerto agridoce para a melhor assistência do dia no Palco 4 do Primavera Sound. Devidamente equipados e com um som substancialmente melhor que a maioria das bandas que passou por ali, Alex Scally e Victoria Legrand apresentaram a Portugal o mais recente Bloom, quarto longa-duração da dupla dream-pop, que conquistou a crítica e o público. Tecnicamente perfeito, sem erros a apontar aos instrumentais e à voz de Victoria, a banda pecou por uma setlist demasiado concentrada no último álbum, com apenas quatro canções de Teen Dream, o trabalho que os consagrou, e nenhuma canção de Devotion ou do álbum homónimo. Ainda que as novas canções, como Myth e Lazuli, tivessem sido dos melhores momentos do espetáculo, faltou, no geral, alguma emoção a um concerto que poderia ter sido mágico.

M83

Cerca das duas e meia da manhã, e Anthony Gonzalez, o mentor dos M83, saúda-nos com Good Morning, Porto. Está espantado com o imenso público que ocupou o Palco Optimus, depois de ter passado por Portugal, há menos de três meses, em locais bem mais pequenos. Não se esperavam grandes novidades em relação a esses dois concertos esgotados de março, e na verdade, a energia da banda que apoia o projeto mostrou-se irredutível. Gonzalez fez algumas alterações à setlist usada há uns meses, com canções do último Hurry Up, We’re Dreaming, que não resultaram tão bem. Uma das melhores surpresas da noite foi a incursão do saxofone em Midnight City, que tanta falta fez nos concertos do Lux e do Hard Club. O final, apoteótico, fez-se com Couleurs, num ritmo dançante que encerrou os concertos nos dois principais palcos do Optimus Primavera Sound.

Reportagem: Renata Curado e Pedro Zambujo

Fotografias: Site Oficial 

*Apenas constam da reportagem as apreciações dos concertos vistos pelos nossos jornalistas.