Foi com muito calor e intimismo que os norte-americanos The War on Drugs se estrearam ao vivo em solo nacional, num incrível concerto que teve lugar na passada Quinta-Feira Musicbox, em Lisboa. 

Já passavam 30 minutos da hora marcada quando, por volta da meia-noite, os The War on Drugs subiram ao palco. A audiência, bem composta, sabia ao que vinha e aguardava ansiosamente o show do grupo de Filadélfia. A abrir, veio uma chuva de canções retiradas de Slave Ambient, o aclamado disco de 2011 que veio abrir portas ao grupo norte-americano onde outrora militou Kurt Vile.

Recorrendo ao seu estilo de música intenso e avassalador, fruto de uma mistura pouco usual da Folk Rock “tradicional” de Bob Dylan e Bruce Springsteen com os efeitos e as distorções etéreas do Shoegaze de My Bloody Valentine ou Ride, o quarteto norte-americano soube criar, com grande mestria, um ambiente quente e enigmático.

Your Love is Calling My Name, It’s Your Destiny e uma canção nova (que, segundo o vocalista, irá surgir no próximo EP do grupo) foram, sem dúvida, alguns dos pontos altos do concerto, e serviram para atestar bem o virtuosismo na guitarra de Adam Granduciel. Virtuosismo esse que, aliado à harmónica (maravilhosamente “adulterada” por uma caixa de efeitos) e aos vocais nasalados e ásperos (por vezes reminiscentes de um jovem Dylan), fez com que a plateia ficasse rendida ao espanto e à estupefacção.

À medida que o concerto se desenrolava iam surgindo, umas atrás das outras, paredes de som extremamente densas e poderosas e que, quando aliadas aos ritmos repetitivos e quase drony da secção rítmica e da guitarra, faziam com que me sentisse numa autêntica viagem transcendental.

Mais para o final do concerto chegou a orelhuda Baby Missiles, o single de sucesso dos The War on Drugs, e cuja contagiante melodia fez com que o público se mexesse freneticamente, com euforia e agitação. Pouco depois, acabava o corpo principal do espectáculo, e a banda despedia-se do palco sob uma chuva de aplausos.

Porém, faltava ainda um delicioso encore, e que conteve uma das grandes surpresas da noite: a subida ao palco de Elliot Levin, saxofonista conterrâneo dos The War on Drugs e que depois de ter actuado no Trem Azul decidiu dar um salto pelo Musicbox e juntar-se ao quarteto que ali tocava. Tocando de forma livre e despreocupada, Levin juntou-se ao grupo numa performance que mais parecia uma jam de improviso, tamanha era a descontracção dos músicos.

Após três longas, enérgicas e hipnotizantes canções que remataram um incrível espectáculo, a ensemble do público português; o reencontro está marcado para o próximo dia 9, no Palco Club do Optimus Primavera Sound. Depois de um concerto assim, só posso dizer que será inconsciente aquele que, tendo perdido a oportunidade de os ver no Musicbox, não dê um pulinho pelo Parque da Cidade para apanhar ao vivo aquela que é, neste momento, uma das bandas mais interessantes do Alternative Rock mundial.

*Por opção do autor, este artigo foi escrito segundo as normas do Acordo Ortográfico de 1945