O Espalha-Factos passou, este domingo,  pela segunda gala do Ídolos. Depois da eliminação de quatro concorrentes de uma só assentada na gala anterior, a fasquia elevou-se. Interpretando temas nascidos no século XXI, os 10 sobreviventes procuraram surpreender um júri cuja tolerância é cada vez menor. O inventário musical foi desde o indie-rock, com Last Nite dos nova-iorquinos The Strokes até ao pop da recém-consagrada Jessie J.

O Ídolos vive cada vez mais do tradicionalismo que foi inculcando, através das televisões dos portugueses, domingo após domingo. Ainda que célebre pelos números de audiência outrora exorbitantes, a frescura e originalidade são elementos cada vez mais ausentes do talent-show adaptado para Portugal. Até à data, a quinta edição do programa tem sido mais do mesmo: escassa diversidade de registos vocais e performativos, presença pobre do panorama musical português e estandardização das opções da maioria dos participantes. A gala de ontem não foi a exceção à regra e com um mínimo de audiência histórico – 7,6 pontos de audiência e 18,5% de share. O pior resultado de sempre e menos de metade do que A Tua Cara Não Me É Estranha fazia, à mesma hora, na TVI.

Como quem não tem cão caça com gato, o Ídolos – que outrora já caçou à séria – mune-se agora de estratégias extra para fazer face às necessidades de inovação. E neste caso, inovação significa Lurdinhas. Apesar de manifestamente ridicularizada, a personagem encarnada por Cláudia Vieira tem-se afirmado (dependendo do ponto de vista) e trazido um mínimo de gracejo ao programa. Foi precisamente com esta que a gala de ontem saudou os telespectadores. A isto, podem-se acrescentar a irreverência e espírito imprevisível tão afetos a João Manzarra. E, se quisermos ser mesquinhos, ainda o factor volúpia: Bárbara Guimarães.

A mesmice da gala deste domingo nem por Margarida Marques foi desafiada, ela que é uma das concorrentes que mais consensualidade tem reunido, tanto no público como no júri. O Espalha-Factos esteve com a irmã da concorrente instantes antes do início da gala. A jovem afirmou, em nome de toda a família, esperar o melhor da irmã e acreditar na sua capacidade para superar as críticas que lhe têm sido feitas, especialmente no que toca à obesidade dos níveis de confiança. Disse, ainda, ter fé na vitória da concorrente no final desta edição. Recorde-se que, na prestação de ontem, a concorrente fui duramente contestada, nomeadamente no respeitante à sua dicção do inglês.

Foi preciso esperar pela terceira atuação para que a língua falada no estúdio fosse única. É de lamentar que, em dez atuações só uma preste homenagem à música portuguesa do século XXI. Foi ao som de O amor é mágico, dos Expensive Soul, que Catarina Almada se mostrou a uma plateia bem composta. Contudo, o júri não viu com bons olhos a performance da concorrente, tendo mesmo sido a mais severamente criticada. Louve-se, ainda assim, a atitude ousada de cantar em português. Talvez por serem tão raras as vezes que isso acontece, quando acontece (como no caso da Catarina) não corre de feição.

Num dos intervalos, houve espaço para conhecermos mais de perto o novo produto da ficção nacional, trazido hoje aos portugueses pela SIC. Aproveitando o direto  para difundir esta estreia, parte do elenco da nova novela Dancin’ Days esteve presente na gala de ontem. Soraia Chaves, José Fidalgo, Cristina Homem de Mello e Sisley Dias são alguns dos nomes que vão passar pelo ecrã da SIC. Este último, falou com o Espalha-Factos e foi veemente em afirmar que as expectativas em relação à nova novela são altas, evidenciando a vontade de melhorar após a participação em Laços de Sangue. O jovem ator assumiu-se ainda como fã do Ídolos e telespectador assíduo.

Talvez no meio de tanta monotonia, um dos momentos mais agradáveis e convincentes da noite tenha sido a participação especial de Marisa Pinto e a sua banda – Os Amor Electro. Com o tema Rosa Sangue, a banda trouxe algum vigor e aragem ao programa.
Chegada a altura do veredicto final, Cláudia Vieira e João Manzarra, com o suspense que já é ritual, anunciaram a saída de André Abrantes, ele que tinha interpretado Drops of Jupiter dos Train. No final do programa, o então ex-concorrente mostrou-se naturalmente frustrado e emocionado.

Em entrevista exclusiva ao Espalha Factos, André Abrantes disse que o “sonho não acaba aqui” e mostrou-se inconformado com a sua saída, tendo salientado que não se arrependeu da escolha que fez para a sua atuação. “Tinha tudo para dar mas não consegui agradar ao público e agradar ao público é o que mais interessa“. Questionado acerca do seu futuro, André Abrantes revelou intenções de “continuar a trabalhar, dando aulas a crianças e estudar música no Hard Club” deixando de lado a hipótese de participar numa eventual nova edição do Ídolos.

Fotografias por Débora Lino.