Numa tarde solarenga deu-se início ao terceiro dia do Rock In Rio, um dia 1 de junho em que se costuma, habitualmente, dar mais destaque a um cartaz dedicado aos mais joevns, por ser dia da criança. Tal não aconteceu este ano, mostrando-se um evento mais adulto neste dia, mas que não invalidou a presença de um público muito jovem no Parque da Bela Vista, para ver, entre outros, Ivete Sangalo, Maroon 5 e por fim, Lenny Kravitz.

O evento, marcado por uma multiplicidade de cores, contou com a presença de inúmeras famílias que, celebrando o dia da criança, aproveitaram para passar bons momentos com os mais novos, proporcionando-lhes concertos, divertimentos e várias outras atividades. Prova disso foi a constante sobrelotação da montanha russa ou do slide, onde os festivaleiros tiveram de aguardar várias horas para garantir que davam uma “voltinha”.

No palco Sunset, de início esteve presente a banda Orquestra Todos, uma banda que reúne artistas de todo o mundo que escolheram Lisboa para viver, o que resultou numa variedade de sons de todo o mundo. Tal serviu para anticipar o concerto dos The Black Mamba, que contou com a participação de Tiago Bettencourt. A estreia da banda em grandes palcos pode-se resumir como agradável, sobretudo para a maior parte do público presente, que não conhecia a banda – embora o vocalista pedisse para o público para levantar-se e ir para a frente, a maioria estava deitada a aproveitar o sol e a descansar os pés. Sabiam que a noite ia ser longa no Palco Mundo. A chegada de Tiago Bettencourt ainda trouxe mais gente e um dos pontos altos foi mesmo a canção Carta, que fez com que o público apresentasse os seus dotes musicais.

Os Orelha Negra, com os seus convidados Hyldon e Kassim, revelaram-se como uma das melhores bandas da atualidade nacional, mostrando o seu lado hip-hop. Foi interessante ouvir desde sons do novo álbum até ao seu álbum homónimo onde cantaram, entre outros êxitos, A Cura.

O Palco Mundo abriu com Expensive Soul, a primeira banda portuguesa a atuar naquele palco na 5ª edição do Rock in Rio. Dinâmicos e comunicativos, serviram para aquecer e elevar os ânimos dos presentes, que se rendiam às letras e instrumentais do coletivo nortenho. Os braços no ar e o ininterrupto movimento faziam prever uma tarde enérgica e sorridente, temperada pelo som de reconhecidos grupos da música nacional e internacional.

Demo e New Max faziam as delícias de jovens, adolescentes e adultos, demonstrando o apreço desenvolvido com vários anos de carreira. Temas como 13 mulheres, O Amor é Mágico e Eu não sei deram o mote para o recrudescer de uma completa sintonia entre artistas e plateia. Perto do fim, Demo, entusiasmado com a resposta do público, sugeriu que todos, imitando o seu gesto, retirassem as peças de roupa e as fizessem esvoaçar por momentos. Divertidos e incansáveis, os Expensive Soul entreteram e convenceram, despertando as primeiras ovações e manifestações de contentamento.

Enquanto Boss AC , no Palco Sunset, entretinha o público que tinha suado a semana inteira, com vários convidados como Tim, dos Xutos e Pontapés, o coro Shout, e também Zé Ricardo e Paula Linda – vindos do outro lado do Atlântico para tocarem diversos êxitos com o português, passando por PrincesaSexta-feira (emprego bom já) ou o Baza Baza, no término do espetáculo -, Ivete Sangalo já tinha iniciado aquele que seria o primeiro grande concerto do dia.

Uma semana depois do início do festival, a poeira estava mais no ar, tal como a curiosidade que despertava em ver Ivete novamente no Rock In Rio, sendo de referir que ela é a única artista que marcou presença em todos os Rock in Rio‘s de Lisboa e Madrid. Como seria de esperar, o afeto do público era tão intenso ao ponto da artista baiana referir Lisboa como a sua “casa”.

Sempre de sorriso nos lábios, a cantora animou o público, que vibrou com o concerto do início ao fim, vendo-se pelo parque várias bandeiras do país irmão, para regozijo da cantora. Um dos momentos mais intensos terá sido quando tocou, no piano, Easy, dos Commodores. O público alinhou com ela, o que despertou imensas emoções que a deixaram, por momentos, sem palavras. Um concerto intercontinental, como a própria Ivete referiu, por também estar a ser transmitido no Brasil, marcado pela ideia de que o público adorou Ivete Sangalo como se fosse a primeira vez que a ouvia. O sentimento acaba por ser recíproco.

A estreia dos Maroon 5 em Portugal começou com o pé direito. A banda presenteou logo o imenso público, que entre empurrões tentava chegar o mais à frente possível, com Payphone, single do álbum Overexposed, que sairá no final deste mês. A reação emotiva do público deixava no ar a ideia do que seria um concerto em que tanto a banda como a sua legião de fãs estariam em uníssono. E assim foi, com os temas tanto do álbum Songs About Jane – recuando-se assim aos sucessos da banda, This Love ou Harder To Breathe – ou mesmo do álbum de 2011, Hands All Over, onde Misery ou o hit cantado a vozes mais agudas que nunca, Moves Like Jagger, figuravam no alinhamento.

Adam Levine, num concerto com muito contacto com o público – nunca parava de o elogiar, ao qual eram retribuídos com imensos aplausos -, também não deixou de fazer referência a outros êxitos que teve em colaboração com Gym Class Heroes ou Rihanna. Falamos de Stereo Hearts e If I Never See Your Face Again, respetivamente. Destaque para os vários solos de guitarra de James Valentine, que levaram ao delírio as 75 mil pessoas que estiveram a observar a atuação no Parque da Bela Vista.

Mais pormenores podiam ser descritos mas faltariam as palavras certas para identificar todos os momentos do concerto. A intensidade e a ligação com o público foram elementos que fizeram com que os Maroon 5 tivessem dado um dos melhores concertos desta edição do Rock in Rio, terminando com uma das músicas mais aclamadas da banda, She Will Be Loved.

Para o fecho, um artista que dispensa apresentações e era igualmente um dos mais esperados da noite, Lenny Kravitz. Esta já não era a primeira vez que vinha a Portugal, mas presenteou-nos com uma série de êxitos, passando por American Woman, Mr. Cab Driver, ou Black and White America. Entre as trocas de instrumentos e músicas, Lenny estava sempre sorridente para o público, no seu espetáculo habitual, com a presença de solos impressionantes do trompetista que o acompanha, e o carinho pelo público foi retribuído quando o foi cumprimentar. Mesmo com o recinto a esvaziar, até porque o metro fechava por essa hora e o dia tinha atraído imensos fãs de Maroon 5, deu para ouvir Fly Away cantada numa só voz, tanto pelo cantor como pelo público, tendo mesmo de fazer um grande encore para se despedir dos fãs portugueses.

Um dia recheado de bons espetáculos, que certamente agradou aos presentes, pois as bandas deixaram todo o suor e intensidade no palco.

Texto de: Carlos Vieira e Daniel Veloso

Fotografias de: Rita Sousa Vieira