Com um percurso musical iniciado nos anos 90, com os saudosos Silence 4, David Fonseca tem construído, desde o final do grupo, uma honrada carreira a solo, que conta já com 5 discos em nome próprio e que ajudou a cimentar a posição do artista como um dos mais proeminentes do Pop-Rock nacional. Seasons: Rising, lançado a 21 de Março deste ano, é a mais recente obra do músico, e é dele que vamos aqui falar hoje. 

Foi com Sing Me Something New, o seu disco de estreia de 2003, que David Fonseca deu início a uma das mais consistentes e interessantes carreiras a solo da música portuguesa da última década. Tendo começado num registo fiel à “tradição” do Indie Pop de singer-songwriter dos anos 90, altamente influenciado por nomes como Ryan Adams ou Elliott SmithFonseca tem mostrado com os seus recentes discos uma crescente aproximação a terrenos mas roqueiros e dançáveis, cheios de sintetizadores e influências New Wave dos anos 80.

Sendo eu um fã confesso de David Fonseca, admito que fiquei bastante entusiasmado quando soube do projecto Seasons que o cantor planeia levar a cabo em 2012, e que consiste no lançamento de dois álbuns (semi) conceptuais: Rising na Primavera, e Falling no Inverno. Esta audaciosa iniciativa, aliada à soberba qualidade dos dois discos anteriores de Fonseca (Dreams in Colour em 2007 e Between Waves em 2009), fizeram com que a expectativa por este Seasons: Rising se fixasse bem lá no alto. Infelizmente, não posso dizer que tenha ficado totalmente agradado com o resultado; apesar de não ser um mau lançamento, o quinto LP do português está, a meu ver, uns quantos furos abaixo daquilo que o artista já fez anteriormente.

Se nas obras anteriores a infusão de sonoridades vindas dos anos 80 era, apesar de totalmente assumida, ainda bastante comedida e cuidada, em Seasos: Rising Fonseca decidiu mergulhar quase por completo a sua sonoridade em influências da Synthpop e New Wave dos The Buggles ou Gary Numan, e fazendo deste o disco mais Pop, dançável e “épico” do artista. A esse “regresso” à década de 80 junta-se, estranhamente, uma pontual incursão por caminhos mais Blues e que, apesar de poder parecer um pouco deslocada, não está nada mal conseguida.

Ao nível da produção, Seasons: Rising aparece como uma obra “cheia”, repleta de efeitos, sintetizadores e arranjos orquestrais, e que fazem com que o resultado final tenha um aspecto bastante “açucarado”, algo que vai muito bem com o tom geral do disco. Na voz, o Little David Boy mantém o seu registo dinâmico e agradável a que já nos habituou, e que continua a marcar pontos. Nas letras, Fonseca faz um bom trabalho ao criar temas com cores primaveris, repletas de amor, alegria e festa, trazendo uma vivacidade que é, sem dúvida, um dos pontos fortes de Seasons: Rising.

No entanto, este quinto disco do cantor português aparece também como uma obra muito inconstante, e cuja sucessão de altos e baixos fez com que tenha, para mim, perdido boa parte do apelo. Esse efeito de “montanha-russa”, aliado a algumas escolhas musicais que, na minha opinião, poderiam ter sido mais bem-feitas (como é o caso da electrónica *Go*Dance*All*Night*), faz com que Seasons: Rising seja um LP que fique aquém do potencial já demonstrado por Fonseca.

A alegre e fresca The Beating of the Drums, a tensa e explosiva Heavy Heart, a caótica e sombria Armageddon, a viciante e frenética We’re So Much Better Than This ou a bela e estimulante I Would Have Gone and Loved You Anyway são, a meu ver, os pontos altos de Seasons: Rising. Já What Life is For, It Feels Like Something ou *Go*Dance*All*Night* são peças que não me agradaram em nada.

Resumindo, Seasons: Rising é um sólido esforço por parte de David Fonseca, e mostra um aprofundar da experimentação com a Synthpop e a New Wave que o cantor tem vindo a namorar ao longo dos últimos anos. Porém, e apesar sua cor e frescura, este quinto disco acabou por me desiludir um pouco, pois falha em manter o nível a que Fonseca nos tem habituado. Porém, e apesar das mudanças poderem soar um pouco estranhas ao início, estou certo que os fãs do Little David Boy não irão sair desiludidos com este Seasons: Rising. Agora é só esperar pelas canções que o Outono nos trará.

Nota Final: 7,1/10

*Por opção do autor, este artigo foi escrito segundo as normas do Acordo Ortográfico de 1945