A Tate Liverpool será invadida, a partir de 15 de Setembro, por gases expelidos do projeto de arte pública Air Print, uma criação do lisboeta Miguel Palma que foi hoje confirmada para integrar a sétima edição da bienal de arte contemporânea de Liverpool.

A obra do português pretende confrontar a histórica cidade industrial com o problema da poluição atmosférica. Estará patente durante as 11 semanas do festival (de 15 de Setembro a 25 de Novembro) e é comissionada pela curadora Luísa Santos e associação artística P28.

Um largo contentor disposto na Tate não fará adivinhar por si só o que lá vai dentro, mas talvez ajude a criar uma primeira imagem do carácter poluente associado ao transporte marítimo e ferroviário de larga escala. Funcionando como mero suporte ou falando diretamente com a história portuária que marca a paisagem de Liverpool, encontraremos dentro um filtro instalado que replica a geografia de uma zona da cidade. Através dele são emitidos gases que irão compor um quadro durante todo o período de festival.

Em paralelo à instalação, fará também parte do projeto uma série de conferências que irão colocar profissionais do universo artístico e investigadores a discutir os limites entre arte e audiências em contextos urbanos, entre outros temas.

Air Print faz parte da secção City States, uma franja do festival que reúne mais de 60 artistas de sete países diferentes, convidando-os a explorar as dinâmicas exercidas entre cidades e países.

Da programação deste ano destaca-se o programa Sky Arts Ignition Series, que em parceria com a Tate Liverpool apresentará uma obra pública do famoso norte-americano Doug Aitken; Rhys Chatham tratará de abrir o festival com um concerto/perfomance; o argentino Jorge Macchi apresentará um contentor gigante “encalhado” entre as paredes de um edifício público, criando a ilusão de perigo eminente por quem ali passar; e o Israelita Oded Hirsh “despenhará” uma estrutura no coração da cidade, com o objectivo de meter os transeuntes a pensar não só a pensar em narrativas, mas também na composição urbana que forma a cidade.

O tema deste ano da bienal de Liverpool é “Hospitalidade”. “Poderemos ser hospitaleiros numa época crítica como a que vivemos?”, é a questão que a organização convida a pensar, através de uma programação divida entre Unexpected Guest; o concurso de pintura John Moores; Bloomerg New Contemporaries; City States e Sky Arts Ingnition Series/Tate Liverpool commission.

O site da bienal de Liverpool pode ser acedido aqui.