António Pedro, conhecido no mundo da música como Pete Tha Zouk, é o 37.º melhor DJ do mundo, após a votação levada a cabo pela revista DJ Mag, o que o torna o DJ português mais requisitado do momento. Depois de ter lançado mais um novo videoclip, Learn To Love, e em vésperas de realizar a sua primeira tournée pela Ásia, o Espalha-Factos esteve à conversa com ele, onde se falou um pouco de tudo acerca da sua carreira profissional atual.

Espalha-Factos: A qualidade dos DJs portugueses nos últimos tempos tem vindo a aumentar, sendo o Pete o porta-estandarte da bandeira nacional pelo mundo fora. Na sua opinião que outros nomes têm qualidade para conquistar o seu espaço no mundo fora?

Pete: Há alguns jovens artistas com muito valor no panorama nacional, destaco o DJ Kura, que se tem notabilizado pelas suas produções e já conseguiu editar pela Revelead do Hardwell e pela Cr2, duas editoras de renome internacional. E também o DJ Deepblue, com quem co-produzi um tema chamado We Are Tomorrow, que vão poder ouvir em breve.

EF: Lançou recentemente o seu último videoclip, Learn 2 Love, realizado pelo Leonel Vieira, que já tinha realizado o I’m Back Again. Como descreve a relação entre os dois? Num projecto futuro, gostava de contar com ele?

Pete:  Sou um admirador confesso do Leonel, é um realizador cheio de talento e uma pessoa extraordinária, que soube ver para lá do preconceito instituído, que limita tanto o talento nacional, e que levou literalmente aos quatro cantos do mundo aquilo que ele tem para oferecer tanto no cinema como no vídeo. Sim, tenho a certeza que as nossas parcerias criativas não acabaram.

EF:  Pessoalmente como é que descreve o videoclip? Consegue contar algumas particularidade que tenha achado especial, ainda para mais por ter sido realizado em Hollywood?

Pete: O videoclipe do “Learn To Love” foi inspirado nos road movies norte-americanos e, nesse sentido, só podia ter como cenário Los Angeles e Hollywood. Bem, ou então a Route 66, mas isso ia demorar muito mais tempo (risos). Gosto particularmente de sentir que em Portugal inauguramos um estilo de clip musical, afinal não há uma história a ser contada neste vídeo, há uma viagem e ela é tudo o que importa. Não há uma imagem minha a tocar nem da Rae a cantar, há uma sugestão de uma festa, ao longe, na imagem final. Penso que trouxemos frescura a uma estética carregada de festas na piscina com miúdas giras (não é que tenha nada contra).

EF: Quais são as perspetivas para o futuro? Há mais algum CD em mente ou videoclip?

Pete: Sim, há novos temas para sair, um novo “Infinity” para este Verão e mais videoclips, claro. Fiquem atentos ao meu Facebook, é onde eu conto tudo.

EF: A sua relação com os fãs é muito próxima, sendo que por exemplo no Facebook já chegou aos 200000 gostos. Qual o segredo dessa proximidade, que se vê também quando actua com os espaços sempre cheios a abarrotar?

Pete:  Sim, estar próximo das pessoas é fundamental para um artista seja de que área for. No meu caso sempre me interessei em saber quem eram os meus fãs, em falar com eles, tirar fotos, saber mais sobre as pessoas que apreciam o meu trabalho e que saem de casa, de propósito, para me ir ver. Isto é pré-Facebook, sempre me preocupei e interessei pelas pessoas. Com o Facebook ganhei um veículo perfeito, que me permite estar “em linha” com os meus fãs de todo o planeta e saber o que lhes interessa, o que gostam, o que têm a dizer. Acabo por partilhar muitas coisas – profissionais e pessoais – e penso que essa proximidade é um dos elementos que agrada às pessoas e também o facto de saberem que aquela página tem informação mas também muita diversão.

EF: Já passou música praticamente nos quatro cantos do mundo. Há algum sítio e história especial que o tenha marcado?

Pete: Um episódio caricato até foi no Pacha, em Ofir, numa festa de fim-de-ano. Uma miúda pulou para cima da cabine e começou a dançar e a andar com os pés em cima do equipamento, CDJ’s e da mesa de mistura. Sorte foi ela não ter carregado em nenhum botão com os pés… (Risos) Os seguranças tentaram agarrá-la… mas ela fugia de um lado pró outro. Acabei por lhe dar uma beijoca e ela voltou a saltar em voo para o público. Eu pensei, bem um dia acho que vou tentar fazer o mesmo e… RESULTOU!  É uma sensação brutal sentir as pessoas a segurarem-te e a andares por cima delas!

EF: Embora atue fora do país, tem sempre marcado presença nas discotecas portuguesas. Considera que o público português é especial, e pelo carinho que tem ao país e ao povo é a sua forma de retribuir?

Pete: Portugal é o meu país e tenho orgulho em ser Português. Quem me vê fora de Portugal quase de certeza que vai ter o privilégio de ver a bandeira de Portugal, porque a levo comigo sempre. É muito bom ser reconhecido fora de portas mas não há nada como ter o carinho e a admiração das pessoas de Portugal.

EF: Com tantos convites que surgem para actuar, consegue encontrar algum tempo para descansar que não seja nos aeroportos? Com que frequência consegue estar na sua terra natal, Olhão?

Pete: Há alturas do ano mais complicadas, nomeadamente janeiro e fevereiro, que é o pico no Brasil e é lá que acabo por passar janeiro inteiro e grande parte de fevereiro. Aqui em Portugal, o verão é a altura mais movimentada, mas desde que saiu o ranking da DJ Mag que as datas noutras áreas do planeta começam a ter um peso significativo. Agora em maio, por exemplo, vou fazer a minha primeira tournée na Ásia. Acabo por conseguir estar em Olhão durante a semana, em algumas alturas do ano.

EF: Se não fosse DJ o que seria?

Pete:  Engenheiro ligado ao ramo da eletrónica ou telecomunicações… Mas também podia ser marketeer, adoro marketing e publicidade.

EF: Tendo em conta a crise actual, qual é a sua opinião acerca dos jovens que têm de sair do país para alcançar sucesso profissional? 

Pete: Sair do país pode parecer uma solução mas a verdade é que é tão ou mais complicado conseguir ser bem sucedido lá fora. Há cada vez mais competição e concorrência. Ser DJ é complicado em qualquer parte do mundo nos dias que correm.

EF: Ser DJ é…

Pete: Ter uma paixão profunda pela música e um respeito imenso pelo público.