Sacha Baron Cohen nunca passa despercebido e agora está de volta aos cinemas. Ali G, Borat, Brüno e agora Aladeen ficarão para sempre associados ao excêntrico e polémico actor. O Ditador é o mais recente filme onde Sacha dá asas ao seu lado mais hilariante. Realizado por Larry Charles, o mesmo de Borat e Brüno, O Ditador está aí para nos levar às lágrimas… de tanto rir.

Afastando-se de Borat e Brüno no que toca às personagens reais e situações inesperadas, numa espécie de falso documentário, desta vez todo o elenco é composto por actores, alguns deles bem conhecidos. Ben Kingsley ou John C. Reilly fazem parte do elenco. Por um lado perde-se a imprevisibilidade do momento, por outro, ganha-se um divertídissimo filme, sempre na onda polémica a que Sacha nos tem habituado.

General Almirante Shabazz Aladeen é um dos mais excêntricos e egocêntricos ditadores que o mundo já alguma vez viu. É conhecido pela sua indestrutível barba, por dormir com centenas de celebridades e por organizar e determinar os seus próprios Jogos Olímpicos. Aladeen atrai a atenção internacional quando surgem novidades acerca do seu programa nuclear secreto. Depois de uma tentativa de assassinato a que escapa, Aladeen encontra-se sozinho e sem dinheiro nas ruas de Nova Iorque. Mas a sua força de vontade para recuperar o poder e afastar a democracia do seu país oprimido não o desanima.

O Ditador funciona como uma “homenagem” satírica ao recentemente falecido ditador norte-coreano Kim Jong Il. Lembremo-nos da chegada de Sacha aos Óscares, envergando as vestes da sua personagem Aladeen com as supostas cinzas do ex-líder norte-coreano, que acabou por entornar em cima de um apresentador em plena passadeira vermelha, em mais uma das suas polémicas.

O argumento hilariante esteve a cargo do próprio protagonista em conjunto com Alec Berg, David Mandel e Jeff Schaffer. O Ditador é uma sátira do início ao fim, com momentos que proporcionam enormes gargalhadas. Desde o ditador apaixonado pela menos previsível das mulheres – como tão bem se diz, os opostos atraem-se – ou ao humor que chega a tocar o mórbido em determinado momento, e a curiosa questão dos sósias, onde se brinca mesmo com a morte de Bin Laden, nada escapa a O Ditador.

Mas a sátira não se fica pela crítica aos regimes ditatoriais, a democracia também não sai assim tão bem vista deste filme, e isso espelha-se em alguns dos membros presentes na reunião da ONU – personagens que personificam uma falsa democracia, digamos. 

A banda sonora, a condizer com a muita cor e os cenários cativantes do filme, alia-se na perfeição à comédia que está perante nós do início ao fim. De referir ainda, são as presenças de Megan Fox e Edward Norton vestindo a sua própria pele, protagonizando rápidos mas extremamente divertidos momentos em O Ditador.

Já o protagonista Sacha Baron Cohen nunca desilude, sempre com o seu dom inato para personagens cómicas, e depois de, há poucos meses, o termos visto como o guarda da estação em A Invenção de Hugo. Como Aladeen, o actor regressa ao que parece ser a sua praia com personagens polémicas, em todos os sentidos. Sempre sem vergonha, sem pudor, e com muito talento, Sacha apresenta-nos um ditador com que seremos obrigados a simpatizar e de quem iremos rir muito.

Com O Ditador iremos seguir as suas aventuras numa Nova Iorque onde o seu poder está longe de resultar, e vamos delirar com as mudanças que este sofre e que irá fazer, por onde quer que passe. Os fãs das personagens de Sacha irão deliciar-se com este filme que conquistará até os que não o são. O registo é diferente, as gargalhadas são as mesmas.

7/10

Ficha Técnica:

Título Original: The Dictator

Realizadores: Larry Charles

Argumento: Sacha Baron Cohen, Alec Berg, David Mandel e Jeff Schaffer

Elenco: Sacha Baron Cohen, Ben Kingsley, John C. Reilly, Anna Faris

Género: Comédia

Duração: 83 minutos

Crítica escrita por: Inês Moreira Santos

*Por opção da autora, este artigo foi escrito segundo as normas do Acordo Ortográfico de 1945.