Pela terceira vez consecutiva, a cidade de Torres Novas vestiu-se a rigor e voou no tempo até ao ano de 1525, abrindo portas à Feira Quinhentista, que de 3 a 6 de maio surpreendeu todos os visitantes. E como prometido o Espalha Factos marcou presença.

Como já tem sido hábito, a Feira Quinhentista, situada na zona histórica da cidade, proporcionou aos mais curiosos perceber como no século XVI se vivia, ou indo mais longe até, sobrevivia. Através da teatralização, da música, da dança, da gastronomia, do comércio, a viagem por esta recriação histórica foi fator de atração para todos aqueles que ali decidiram vivenciar uma outra realidade.

Num misto de dois mundos, tão antagónicos e díspares, o universo Quinhentista difunde-se nesta pequena cidade Ribatejana. Intitulado de O Dote da Princesa, o tema desta edição advém de um período histórico que relata a união da Princesa Isabel com o D. Carlos V de Castela. A União dos dois Reinos levou, neste passado longínquo, com Torres Novas como pano de fundo, à perda de soberania por parte de Portugal. Por ocasião deste matrimónio, coube a D. João III, irmão da Princesa Isabel, a aprovação de imposto que viria a financiar o dote que este teria dar à coroa Castelhana.

Ao longo dos quatro dias, foram centenas as pessoas que fizeram ser possível atingir a dimensão cultural e o dinamismo que esta recriação exigia. Dos mais pequenos aos mais graúdos, a Feira foi para todos e ali puderam encontrar atividades variadas para todas as faixas etárias.

Desde o Lugar do Petiz, para o mais novos, ao Postigo da Traição para os mais aventureiros, recôndito túnel onde se encontravam os condenados pela sociedade castigadora e recriminadora da época, também ali pudemos encontrar a praça de mercadores, o acampamento mouro ou arraial, numa busca pelo mais perfeito retrato deste era. Mas não fica por aqui. À vivência cultural dos mouros e ao quotidiano militar juntam-se atividades como caçar aves, construção e manipulação de marionetas, entre muitas mais diversões abertas a todos os visitantes.

Foi neste ambiente místico e estranho, aos olhos de hoje, que Torres Novas viveu quatro dias quinhentistas ao sabor de uma recriação histórica dando a conhecer os primórdios de um sociedade que se previa revolucionária.