Estreia hoje nas salas portuguesas o novo filme de Andrea Arnold, baseado na obra de Emily Bronte, O Monte dos Vendavais. A realizadora de Aquário e Sinal de Alerta apresenta uma nova abordagem ao romance que promete fascinar o público.

O Monte dos Vendavais retrata a história de um jovem sem-abrigo que é acolhido por um agricultor do Yorkshire. Apesar da hostilidade de alguns membros da família, o rapaz, batizado com o nome Heathcliff, acaba por se apaixonar pela filha mais nova do agricultor, Cathy e alimenta uma relação obsessiva que levará à maior tragédia das suas vidas.

O filme, repleto de planos subjectivos, consegue facilmente captar o interesse do público, que entra na personagem do jovem abandonado através da sua visão dos acontecimentos. Passivo e observador, Heathcliff explora o novo lar e as suas emoções pela doce e inocente Cathy. Escondido, espreita pelas portas entreabertas, escuta conversas proibidas e olha de longe com timidez, o amor da sua vida.

Os planos instáveis presentes em todo o filme conseguem transmitir grande profundidade à narrativa, quando reproduzem o olhar perturbado de Heathcliff. Contudo, alguns dos planos mais “tremidos” tornam-se distrativos e confusos, principalmente devido à fraca luminosidade de certas cenas. Deste modo, é difícil para a audiência perceber a continuidade da história e seguir as personagens atentamente.

Rico em planos de pormenor associados ao ambiente campestre, o filme impressiona visualmente com a sua fotografia soberba impondo o tom de angústia e mistério vigente nas personagens ao longo da trama.

Os dois temas em que o filme incide de uma forma magistral são o racismo e o amor obsessivo/destrutivo. Na primeira parte, o filme aborda a mentalidade retrograda da época. Independentemente da classe social, era normal repudiar os indivíduos de raça negra e um forasteiro sem qualquer auxílio, como Heathcliff, tornava-se num alvo muito fácil a abater. Forçado a trabalhar para manter o seu abrigo, o jovem é maltratado e considerado um animal perante a família. Somente Cathy é capaz de olhá-lo de maneira diferente, contudo, como a sua condição de mulher não lhe dá poder, a rapariga resigna-se e desiste do seu amor.

Na segunda parte da longa-metragem constata-se a obsessão doentia de Heathcliff pela jovem, que acaba por casar com um homem mais rico. O arrependimento da filha do agricultor observa-se através do olhar que repousa sobre o rapaz. A sua falta de coragem e inconsciência levaram-na a tomar decisões que agora já não são reversíveis. A tragédia torna-se iminente quando o amor anula a própria identidade e apenas se transforma num objetivo inalcançável.

Com um elenco magnífico, estreia brilhante dos jovens atores Solomon Glave e Shannon Beer, e uma fotografia irrepreensível, o filme de Andrea Arnold vai envolver o público nesta teia de emoções em que o amor pode ser fatal. A não perder numa sala de cinema perto de si.

7/10

Ficha Técnica:

Título Original: Wuthering Heights

Realização: Andrea Arnold

Argumento: Andrea Arnold e Olivia Hetreed, baseado na novela de Emily Bronte

Elenco: James Howson, Solomon Glave, Kaya Scodelario e Shannon Beer

Género: Romance, Drama

Duração: 129 minutos