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A marcha dos Sétima Legião sobre Olisipo

Foi com um Coliseu dos Recreios cheio que Lisboa deu as boas-vindas ao regresso aos palcos dos Sétima Legião. Naquele que foi o segundo concerto da tour nacional de comemoração dos 30 anos da banda, o grupo trouxe na bagagem uma chuva de êxitos que encantou quem se deslocou ao número 96 da Rua das Portas de Santo Antão na passada sexta-feira.

Passavam 15 minutos da hora prevista quando se apagaram as luzes e se começou a ouvir a gravação de Com Estas Mãos, a introdução escolhida para o espectáculo. Logo a seguir, o instrumental O Baile (das Sete Partidas) abriu as hostilidades, e preparou o terreno para Noutro Lugar, o primeiro grande momento de exaltação da noite.

No palco, para além do simples jogo de luzes, dos músicos e dos instrumentos, pouco mais havia, exemplo de como o espectáculo apostava única e exclusivamente no poder e qualidade da música dos Sétima Legião.

À medida que a banda ia atirando com uma rajada certeira de hits como Sem Ter Quem Amar, A Partida ou Porto Santo, uma das coisas que mais me impressionou foi a maneira como a voz de Pedro Oliveira aparecia imaculada, assim como o talento e o brio do resto do grupo. Isso, e a forma como a música dos Sétima Legião parecia, apesar de todos estes anos, fresca e nada datada, prova de que os grandes clássicos perduram sempre.

A meio do concerto chega, finalmente, a tão esperada e pedida Sete Mares, com as primeiras notas a causarem uma autêntica explosão de euforia no Coliseu. Seguiram-se Caminhos de Santiago e Reconquista, tocadas em conjunto com um grupo de gaiteiros. A presença destes últimos, aliás, só veio reforçar algo bastante evidente; se é verdade que o baixo de Rodrigo Leão, a guitarra de Pedro Oliveira e a bateria de Nuno Cruz cheiram a Manchester (por via da influência de Joy Division e The Durutti Column), também é certo que o acordeão de Gabriel Gomes, a gaita-de-foles de Paulo Marinho e a percussão de Paulo Abelho vem mergulhar a música dos Sétima Legião na matéria de que é feita a portugalidade.

Foi com as muito aclamadas Além-Tejo, Tão Só e Por Quem Não Esqueci que o conjunto encerrou o corpo principal do show. Porém, depois de uma chuva de aplausos tremenda que fez abanar o Coliseu, o grupo voltou ao palco para o pedido encore. A instrumental Pois Que Deus Assim o Quis (tocada novamente com os gaiteiros), a calma Porta do Sol e a tremenda e poderosa Glória, dedicada ao radialista António Sérgio, adivinhava-se como fim perfeito para a noite.

Porém, o teimoso público recusou-se a arredar o pé, o que “obrigou” a banda a um novo regresso, para tocar de novo os seus três maiores êxitos: Sete Mares, Noutro Lugar e Por Quem Não Esqueci, num bis que em nada arreliou os muitos fãs que ali estavam. Depois das muitas vénias e dos agradecimentos, já cá fora da sala, era bem visível a alegria estampada nos rostos de quem veio, por uma noite, (re)viver a música dos Sétima Legião. Lisboa tinha saudades, que apesar de mitigadas, certamente não ficaram totalmente saciadas por este grande concerto.

Setlist

Com Estas Mãos

O Baile (das Sete Partidas)

Noutro Lugar

Sem Ter Quem Amar

Aguarela

A Partida

Vertigem

Porto Santo

O Canto e o Gelo

Sete Mares

Caminhos de Santiago

Reconquista

Mil Maneiras de Amar

Tango do Exílio

Além-Tejo

Tão Só

Por Quem Não Esqueci

Encore 1

Pois Que Deus Assim o Quis

Porta do Sol

Glória

Encore 2

Sete Mares

Encore 3

Noutro Lugar

Por Quem Não Esqueci

Fotografias: Rita Sousa Vieira

*Por opção do autor, este artigo foi escrito segundo as normas do Acordo Ortográfico de 1945


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