A Semana Académica de Lisboa entrou no seu terceiro dia de concertos com anúncio de mais chuva, e muitos bilhetes por vender, mas conseguiu surpreender – alcançados auges de público, entusiasmo e satisfação.

As primeiras horas da noite pareciam novamente pouco animadoras. Não chegavam aos milhares os presentes à hora do primeiro concerto da noite, com os Like the Man Said a servir de música ambiente para as barraquinhas que nesse momento ainda sangravam barris para mais uma jornada de trabalho.

Um concerto que não entusiasmou particularmente e que terá deixado indiferentes todos os que não são muito apreciadores de reggae. A banda tentou comunicar com o público, mas apenas as poucas dezenas que se encontravam na frente de palco reagiram, com o horário das 20h00 a voltar a revelar-se particularmente ingrato para quem o ocupa.

Só mais tarde, com a entrada dos Capitão Fausto em palco, as coisas começaram a animar. Atuando no “maior palco” em que alguma vez tinham estado, os portugueses ofereceram uma performance competente, com garra, arrojo e alguma irreverência. Uma das novas bandas portuguesas, a apresentar o seu trabalho e a deixar com vontade de ouvir outra vez os temas que, para muitos, eram estreias auditivas.

A voz de Tomás Wallenstein flutuou pelo recinto e foi chamando o público para a frente de palco, multiplicando o número de espectadores e aquecendo a plateia para a noite de festa que estava para vir. Desfilando pelos vários temas da sua ‘Gazela’ de estreia, eles prometem continuar a saltar pelos palcos nacionais – tanto como o público se agitou com Teresa, o maior hit single do grupo e que chegou quase no fim do concerto.

Aquecimento feito, público agradado com a música nacional, temos a seguir um ligeiro interlúdio instrumental antes da entrada em palco de Axwell. Uma despropositada animadora da Cidade FM anuncia que esta é a noite da rádio e obriga-nos a refletir se incentivar ‘Quem já está bêbado ponha o braço no ar’ deve ser socialmente aceite como forma de saudação. Histerismos à parte, vinha aí um dos fenómenos da música eletrónica mundial.

Axwell não deixou ninguém parar. Num repertório que entremeou alguns dos maiores sucessos atuais, da sua carreira e da dos outros, a apoteose foi total, com um recinto que esteve ao rubro em todos os momentos e que nem a chuva conseguiu esfriar. Tivemos a sensação de que a Semana Académica de Lisboa ainda está a começar. A multidão salta em conjunto, a chuva e a cerveja molham ao mesmo ritmo, são duas horas que passam demasiado rápido. A missão fica difícil para o nacional Mastiksoul, que entra em palco às 02h40.

Numa verdadeira tempestade, de emoções e mau tempo, o mestre de cerimónias português entra em palco. O público ainda resiste, dança as primeiras músicas, vibra com um dos mais afamados disc-jockeys lusos, que desfila por vários dos êxitos pop-dance do momento e agarra, com competência suficiente, uma multidão que não quer parar de dançar. Temos dúvidas se, para o nome que o precede, não poderia ser mais original nas misturas e nas versões, e achamos que o público sente o mesmo, desmobilizando lentamente até às 04h00, hora em que, já numa onda mais minimal, Mastiksoul encerra o terceiro e penúltimo dia do festival estudantil lisboeta.

Texto: Pedro Miguel Coelho
Fotografia: Andreia Martins