DIA 8 – 3 DE MAIO

O Espalha-Factos viajou até Nova Iorque com o filme de André Valentim Almeida, From New York With Love, nesta quinta-feira que marca uma semana completa após o arranque oficial. Uma viagem ao cinema experimental português. Sala cheia no Cinema Londres.

FROM NEW YORK WITH LOVE – 6,5/10

Os cânones do cinema servem para ser quebrados e é isso que o realizador André Valentim Almeida pretende fazer em From New York With Love. Contudo ele não os quebra completamente, antes brinca com eles. O realizador parte para a Big Apple e retrata neste filme experimental a sua experiência pela cidade que nunca dorme. Conhecemos uma cidade e um jovem que se vai mudando à medida em que se confronta com uma cultura diferente e com pessoas que o marcam. Este é um trabalho de contraste, composto por momentos interessantes de acompanhar e por outros difíceis de manter a concentração. Um trabalho de autor, uma experiência de vida, uma mudança na subjetividade acompanhada em primeiro plano, uma boa fuga aos cânones.

DIA 9 – 4 DE MAIO

Para além dos filmes exibidos, o nono dia do Indie Lisboa fica marcado pelo anúncio dos vencedores ao nível das curtas-metragens. Juku de Kiro Russo arrecadou o Grande Prémio. Em português, foi Cama de Gato de Filipa Reis e João Miller Guerra o vencedor do formato. João Salaviza junta mais um prémio à coleção, o de melhor realizador de curta-metragem português com Cerro Negro. Encounters with Landscape (3x) de Salomé Lamas foi considerado o Novo Talento FNAC. O público escolheu Retour à Madima de Robert-Jan Lacombe como melhor curta-metragem.

STILL LIFE – 6/10

A história é potente mas o filme é pesado demais, difícil de manter a concentração. Still Life, Natureza Morta em título traduzido, de Sebastian Meise traz a história de um segredo que destrói completamente uma família aparentemente normal. A tragédia marca o tom deste filme contado sobretudo nos silêncios. Bernhard descobre uma carta do pai onde conta a uma prostituta a sua vontade de possui-la e chamá-la Lydia. Até aqui tudo seria normal, não fosse Lydia o nome da sua própria filha. Bernhard não consegue manter a descoberta só para si e aí a família colapsa-se. A imoralidade e a ilegalidade da ação deste pai são levantadas pelo filme e dão ao espectador a possibilidade de construir a sua resposta ao mesmo tempo que assiste à degradação completa das personagens.

 

WHORE’S GLORY – 9/10

Tailândia, Bangladesh e México. Três locais diferentes, três formas diferentes de encarar a prostituição é o que traz Whore’s Glory de Michael Glawogger. A imersão nos três locais é profunda e traça um retrato ao pormenor daquilo que é o quotidiano de quem vende o sexo como mercadoria. Da indústria construída na Tailândia a uma independência na profissão no México, passando pela noção de serviço social da profissão no Bangladesh.

A profissão mais antiga do mundo ganha rostos, histórias e emoções apresentadas com um olhar atento e livre de preconceitos e estereótipos em A Glória das Prostitutas. O que mais surpreende é o caráter humano de quem escolhe ou é empurrado para a prostituição e “quase lavagem cerebral” a que se submetem. Um mundo marcado por concorrência e chulos, em que a beleza parece sempre insuficiente e a idade pesa a cada minuto que passa, independentemente da região do globo em que nos encontremos. Não se sente que se está a ver um documentário mas sim a própria realidade projetada, sem qualquer intermediário, na tela do cinema. O realizador sabe explorar as emoções e completa o quadro com uma banda sonora que se encaixa na perfeição.