O segundo dia da Semana Académica de Lisboa não deixava os melhores prenúncios à hora de abertura do recinto. O mau tempo persistia e a massa humana não era muita. No entanto, as expectativas negativas foram (felizmente) defraudadas, com a capacidade do recinto a ser desafiada com a afluência que se fez sentir ao longo da noite.

A abrir as festividades esteve o “nossoQuim Barreiros. Presença assídua neste tipo de eventos, Quim Barreiros manteve os poucos presentes bem entretidos com a sua música pimba animada e propícia ao bailarico. Mestre do duplo-sentido, o músico premiou a audiência com pérolas de conteúdo lírico que vão desde a degustação gastronómica (Bacalhau à Portuguesa ou Chupa Teresa) à temática dos animais de quinta (Os Bichos da Fazenda ou A Cabritinha), terminando com uma das favoritas do público, A Garagem da Vizinha.

Em seguida, vindos diretamente dos anos 90, chegaram os Vengaboys. Apesar de um ligeiro percalço técnico na sua música de abertura (We’re Going to Ibiza), onde o som se fez sentir demasiado baixo, os Vengaboys cumpriram muito bem o seu papel de manter a animação em alta.

Isso foi visível, aliás, pelo alargado número de pessoas que não se coibiram de vir dançar ao som nostálgico de Shalala Lala ou We Like to Party! (The Vengabus), apesar da chuva intensa que se fez sentir. Apelando sempre à festa e à interação com o público, os Vengaboys cantaram ainda êxitos como Kiss (When the Sun Don’t Shine), Up and Down e Boom, Boom, Boom, Boom. Antes de dizerem adeus a Portugal, os Vengaboys fizeram ainda questão de mostrar o seu agradecimento à plateia portuguesa, voltando para o palco para cantar To Brazil.

Antes de subirem ao palco os cabeças de cartaz, Linus Eklow, mais conhecido por Style of Eye, manteve os presentes a dançar com o seu DJ Set difícil de catalogar num género musical. Indo do Techno ao House e ao Electro, com uma percussão crua e baixos pulsantes, Style of Eye fez as delícias aos fãs de um tipo de sonoridade mais bass-heavy e intensa.

Findada esta atuação, era agora altura dos Crookers tomarem as rédeas ao espectáculo. Com uma plateia bem composta, emaranhada no espírito de alegria e libertação a que o festival convidava, a dupla de música Electro fez ferver o ambiente, suscitando intensas emoções e exaltando a vontade de dançar. Brindando o público com uma sonoridade eletrizante, como é habitualmente, seu apanágio, os artistas italianos revisitaram remixes de músicas como Thunderstruck, clássico da banda AC/DC, ou Day ‘n’Nite, de Kid Cudi, imprimindo-lhes a especificidade do Electro e Techno, e elevando a diversão dos presentes, que respondiam com enérgicos e ritmados movimentos.

Contagiando e entretendo, a noite acelerava, complementada com a música. Houve tempo para a apresentação de material novo do álbum Dr.Gonzo, conjugada com temas mais antigos, como Knobbers, Let Me Back Up, o combo We Love Animals/Sveglia e We Are Prostitutes, tendo esta última levado os presentes à loucura. Complementada com uma série de imagens, rápidas e díspares, que surgiam nos ecrãs gigantes, os Crookers encantavam a plateia, agora totalmente rendida.

Artigo redigido por António Moura dos Santos e Daniel Veloso